Sexta-feira, Julho 10, 2009

Enquanto vou e volto...


Deixo-vos na companhia de Francis Goya.

(desliguem a música de fundo e deliciem-se)

Sexta-feira, Julho 03, 2009

EDUCAÇÃO - Uma questão de berço



De asneira em asneira, de calinada em calinada, o ministro "Maizena" acabou por quebrar o verniz e mostrar-se inteirinho, tal como é, sem disfarces nem camuflagens. O povo diz, na sua sabedoria:

«Aquilo que o berço dá, só a tumba leva!»

A rápida reacção do sr. Sócrates revela o seu incómodo, face à falta de respeito do seu ministro, não pelo adversário a quem foi dirigido o insulto, mas sim pelo local por ele escolhido para palco da sua má educação. O Parlamento.
Mas mostra também a sua determinação em deixar pelo caminho, sem contemplações, quem quer que se atreva a colocá-lo em causa, ou em situação incómoda, mesmo que se trate de um dos seus apaniguados mais bajuladores.
Neste caso, porém, diga-se em boa verdade, que a reacção foi célere, mas correcta.
E, por muito que os bajuladores, os oportunistas, os lacaios, autointitulados de "comentadores", se desdobrem em justificações e desculpas para o sucedido, e se multipliquem em servilismos os pasquins - falados ou escritos - que se dizem imprensa, na tentativa de minimizar o caso, o certo é que, desta feita, a censura não conseguiu evitar o que todo o país viu, em directo.
Não venham, pois, com imbecis argumentações, tão estúpidas como essa de que o sr. Maizena está cansado, porque o cansaço não desculpa a má educação. Nem nos venham dizer que foi um ministro muito bom, que revelou capacidades técnicas extraordinárias, que até solucionou a questão das minas, blá, blá, blá... porque se começarmos a enumerar os fracassos deste senhor desde o encerramento da Opel na Azambuja (por absoluta incompetência e anormal arrogância), os seus fracassos como técnico e como político, só são equiparáveis, em grandeza, à sua má educação. Considere-se, apenas, o valor dos investimentos deslocalizados e, mesmo sem ter em conta os monumentais erros da política económica, ter-se-à noção da enorme factura da sua incompetência, que o país está a pagar e há-de pagar ainda durante muitos anos.
A verdade é que se tivesse sido demitido juntamente com o "fecha maternidades" já ia tarde.
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P A R Á B O L A
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É assim que se resume

Duma forma adequada,
O vilão que muito assume
Mas que pouco faz, ou nada.
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"Presunção e água benta,
Cada qual toma a que quer!"
Diz o povo, que apresenta
Em ditados o saber.
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E, se quando o diz, resume
A distância da vaidade
Às razões da humildade,
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No dizer também assume
O sentir de muita gente
Que não diz tudo o que sente.

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Vítor Cintra
No livro: ECOS

Domingo, Junho 28, 2009

T V I - E os tentáculos...

(imagem recolhida na internet)

Esta peculiar «demokratia» está tão debochada, tão desacreditada, tão sem rei nem roque, tão feita de compadrios e mentiras que, diariamente assistimos ao inimaginável.
Dois casos, apenas para ilustrar esta minha opinião:
1/ No mesmo dia, num curto intervalo, ouvimos duas versões completamente opostas sobre a permanência em funções de um determinado funcionário superior, suspeito de ilícitos. Na primeira, o ministro responsável pela pasta diz que, só depois de ouvir o funcionário, numa reunião agendada, tomará uma decisão. Na segunda, alguns minutos depois, o primeiro ministro confrontado com a questão, diz que o ministro já tomou a decisão de substituir o funcionário.
Quem é que mente?... O ministro que disse que tomaria a decisão depois de ouvir o funcionário, ou o primeiro ministro que afirmou aos parlamentares que o ministro já tinha tomado a decisão?
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2/ É pública a animosidade do sr. Sócrates, relativamente a alguns órgãos de comunicação social, que o não bajulam, ou que seguem uma linha editorial menos instrumentalizável. A estação TVI de televisão, é talvez o seu inimigo de estimação maior, no mundo jornalístico.
Apesar da "Golden Share" do Estado no capital da Portugal Telecom o sr. Sócrates, confrontado com os contornos da negociata, afirmou ao Parlamento desconhecer que a PT se preparava para assumir o controlo da estação televisiva em questão. Insurgindo-se contra os parlamentares por estarem a questioná-lo sobre um assunto de mero interesse empresarial (segundo ele).
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A análise das questões que, quer as negociatas, quer as afirmações do político levantam, não devem passar sem uma reflexão séria.
A verdade é que nem sequer sei bem o que é que é mais grave.
Se o, alegado, desconhecimento do primeiro ministro, sobre uma decisão estratégica numa "Golden share" - o que, a ser assim, demonstra a completa incompetência governativa -, ou se as afirmações, proferidas naquele tom arrogante, no seu costumado jeito de "prima dona" ofendida, contra uma oposição que o confronta com a negociata, sob o pretexto de que se trata de um mero negócio, sobre o qual o governo não tem que se pronunciar.
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«Quem não quer ser lobo... não lhe veste a pele»
M E N T I R O S O
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Político mentiroso
Mente uma vez, sempre mente;
Mas o que é mais curioso,
Mente compulsivamente.
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Político mentiroso,
Nem já disfarça que mente;
Naquele tom belicoso
Mente descaradamente.
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Político mentiroso,
Nem sabe já porque mente;
Mas quando está furioso
Mente até à sua gente.
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Político mentiroso,
Mente, mente, mente, mente;
Mas o que é mais vergonhoso
É pôr um ar de inocente.
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Vítor Cintra

Quarta-feira, Junho 24, 2009

As competências do sr. Governador

(imagem recolhida na internet)
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A OCDE veio, uma vez mais, corrigir as contas mascaradas que, frequentemente, os políticos domésticos nos servem, ao sabor das suas conveniências. Porque não é já a primeira vez que isso sucede, não nos surpreende que o faça, pois sabemos da dificuldade/incapacidade dos (des)governantes em acertar uma mera adição.
- Quem ignora os muitos malabarismos dialécticos, anualmente esgrimidos, para justificar o constante agravamento da carga fiscal, apesar das promessas eleitorais em contrário?
- Quem esqueceu a promessa da criação, durante a legislatura, de 150.000 postos de trabalho, que nunca aconteceram, e o espectáculo exibicionista, no verão passado (a um ano do termo da legislatura), dos quatro ministros, falando à vez, em conferência de imprensa, especialmente convocada, para anunciar a quebra do desemprego em 0,4%, verificado aliás em período sazonal, em que a oferta do emprego sempre acontece?
O descrédito dos políticos - destes políticos - atingiu o seu ponto máximo. Há pois que mudar de caras, numa bem urdida estratégia, na tentativa de continuar a servir-nos mais do mesmo, enquanto eles - sempre os mesmos - continuam a servir-se. Isso não surpreende, aliás.
O que surpreende agora é que o sr. governador do Banco de Portugal, cuja competência no seu trabalho de fiscalização é do conhecimento público, venha pronunciar-se contra as previsões da OCDE, arrogando-se competência fiscalizadora das previsões daquele organismo. Não duvidamos da competência do senhor, quer pelos casos BPN e BPP, quer até pelo elevado valor da remuneração que aufere. Mas, tendo em conta as diversas intervenções que já nos debitou, vem-me à ideia aquele provérbio de ciência popular que diz:
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«Em boca fechada, não entra mosca»
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C O N S E Q U Ê N C I A S
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"Quem semeia ventos
Colhe tempestades!"
Quem causa tormentos
Não deixa saudades.
Quem recorda tempos
Vai vivendo idades.
Quem vive de alentos
Respeita verdades.
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Quem tem na memória
Toda a sua história,
Não canta vitória
Por suposta glória.
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Quem pisa direitos,
Que dos outros são,
Não segue preceitos
Mas perde a razão.
Quem cala conceitos,
Por pura ilusão,
Faz valer defeitos
Por contradição.
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Vítor Cintra
No livro: MEMÓRIAS

Quinta-feira, Junho 18, 2009

O Primeiro Hino Nacional

(imagem recolhida na internet)
Na passagem dos 200 anos das invasões de Portugal pelos exércitos napoleónicos, vem a propósito recordar o primeiro Hino Nacional de Portugal, escrito pelo compositor Marcos Portugal, com o propósito de levantar o ânimo pátrio ferido.
Não pode deixar de referir-se também que se trata de um dos primeiros hinos europeus, já que, só a partir da segunda metade do séc. XIX, os povos começaram a cantar esse género de composição oficial em que letra e música se combinam para, em tom marcial, evocar os feitos gloriosos de cada país.
A música desse primeiro Hino, cuja partitura original se conserva na Biblioteca do Conservatório de Paris, entrou rapidamente no ouvido do povo. A letra, em louvor do «Príncipe Excelso», refugiado em Terras de Vera Cruz, passava de boca em boca, nas palavras que se seguem:
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"Eis, oh Príncipe Excelso,
os votos sagrados
q'os Lusos honrados
vêm livres, vêm livres fazer,
vêm livres fazer
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Por vós, pela Pátria
o Sangue daremos
por glória só temos
vencer ou morrer,
vencer ou morrer,
ou morrer,
ou morrer"

(Fonte de informação:
Revista Clube do Colecciondor - texto de João Borges de Azevedo)

Quarta-feira, Junho 10, 2009

DIA DE PORTUGAL

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É dia de Portugal e de Camões.
É dia de recordar e homenagear os nossos antepassados. É dia de preito aos nossos egrégios.
Mas é também a oportunidade que os políticos nunca desperdiçam para o seu espectáculo de ostentação, de despesismo.
E, enquanto o povo anónimo honra os seus antepassados em cerimónias simples, mas sentidas, os políticos exibem-se em paradas ostensivas, num desperdício dos recursos, já tão parcos, de que Portugal carece para atender ao crescente estado de pobreza, que atinge cada vez mais portugueses.
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M Ã E .... D O R I D A
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Com angústia verdadeira,
De quem um filho perdeu,
Numa esp'rança derradeira
Acredita que há maneira
De poder honrar o seu.
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Com destino tão marcado,
Tão sofrido, p'lo desgosto,
Quer apenas ver lembrado
O bom nome de soldado,
Mesmo que nome sem rosto.
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Desse filho resta agora
Dor atroz, sempre presente,
Numa Pátria, que o não chora,
Esquecida, sem demora,
Do respeito p'lo ausente.
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Vítor Cintra
No livro: ENCRUZILHADA

Sexta-feira, Junho 05, 2009

BLOG DOURADO


Recebi da amiga Ana Martins, do blog AVE SEM ASAS este mimo. Qualquer prémio é sempre gratificante. Mas este, por me ser atribuído por uma amiga que acompanho, porque a sua poesia me agrada, e tem, além do mais, a frontalidades de manifestar a sua posição, comentando o que escrevo, tem para mim um significado muito especial.
Obrigado, ANA !

REGRAS A CUMPRIR COM ESTE SELO:

"É um prémio que homenageia os melhores blogues e tem sua simbologia nas cores que utiliza.
A cor azul representa paz, profundidade e imensidão.
A cor dourada a sabedoria, a riqueza e a claridade das ideias.
O prémio em si representa a união entre os blogueiros."
Passo então a citar as regras:

Colocar o prémio em situação visível.
"Anunciar através de um link, o blogue que o premiou e premiar até outros 15 blogues, avisando a blogueiro sobre a premiação."

Os meus blogues premiados são os seguintes:

PEQUENOS PASSOS
LIVROS E AUTORES
INTRUSO
TERESA DURÃES
ISABEL FILIPE

Segunda-feira, Junho 01, 2009

DIA MUNDIAL DA CRIANÇA

(imagem recolhida na internet)
«Dia Mundial da Criança».

Comemora-se?!... Mas comemorar o quê?...
No meu périplo pelas páginas de alguns amigos, visitei, hoje, o blog Pequenos Passos.
Uma viagem guiada, no foguetão das crianças, pela mão da sua Educadora. Uma viagem deliciosa.
E se, dalgum modo, essa viagem me fez bem, não consegui esquecer que há uma menina de seis anos, de nome ALEXANDRA, que vive o "Dia Mundial da Criança" em exílio, longe dos seus amiguinhos de Infantário, da sua casa, das suas raízes. Das únicas raízes que conheceu e criou. Condenada ao exílio, pela tacanhez de alguém que, dizendo-se "juiz", resolveu exilá-la, só porque "não vai com a cara" da mulher que a criou com amor.
Comemorar o quê, afinal?...
No dia em que cada um de nós se insurgir contra as arbitrariedades dos «intocáveis» que, a coberto de irresponsabilidade garantida, se arrogam o direito de desrespeitar os mais elementares direitos duma criança, nesse dia, teremos razão para comemorar o "Dia Mundial da Criança". Até lá, qualquer evocação nesse sentido, é ofensiva.

O....J U I Z

Porque o «juiz» falou,
Asneiras, mas de forma empertigada,
- Até porque de vida sabe nada -
A gente se curvou.
E, sem pensar no trauma da criança,
Forçou-a a enfrentar uma mudança.
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E nem se culpe as leis.
Se são embaraçadas, quais novelos,
São-no em Guimarães, ou em Barcelos.
Há poucos, bem sabeis,
Juizes que, julgando em consciência,
Conseguem ter da lei clarividência.
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Vítor Cintra

Quinta-feira, Maio 28, 2009

ALEXANDRA - A sentenciada ao exílio.

(imagem recolhida na internet)

Perante mais uma aberração jurídica produzida a coberto da irresponsabilidade que caracteriza as decisões de tantos «intocáveis», é difícil não sentir vontade de perguntar porque razão não há em Guimarães, gente com tanta garra como as gentes de Mortágua?
Acabamos de assistir a mais uma arbitrariedade que, em resumo, se pode sintetizar assim:

a) Condenação ao exílio, nas estepes russas, de uma criança de seis anos, cujo único crime é o de ser criança, ter a mãe que tem e não merecer por isso o respeito de alguém que se considera superior e absoluto;
b) Passagem de um Atestado de Incompetência, às autoridades judiciais e instituições com competência e conhecimento, que, inequivocamente aconselhavam uma atitude de lucidez e prudência.
c) Incapacidade para aprender com um Tribunal de Primeira Instância, cuja sentença revela respeito pelos mais elementares direitos da criança, além de prudência e discernimento;
d) Privação de direitos de terceiros (nomeadamente do pai, que nem sequer foi ouvido), na produção duma sentença de consequências com contornos irrevogáveis.
Etc., Etc.. (Porque ainda há mais).
Este aberrante "aleijão" intelectual, fruto duma autoconvencida sapiência, que agora parece incomodar o sr. juiz, trará necessariamente consequências (já está a trazer), e deixará, inequivocamente, marcas futuras tão graves e tão profundas na criança condenada, que, ao imaginá-las, não posso deixar de formular estes votos:
1/ Que a consciência (se é que a tem) do sr. "Quero, Posso e Mando" lhe dê a condenação que a sua arrogância, a sua arbitrariedade e prepotência e a sua falta de de discernimento e lucidez sentenciou àquela criança;
2/ Que a sua vida seja tão longa, e tão sofrida quanto a daquela menina, para que essa consciência lhe possa cobrar essa pena, até ao último alento;
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Quando será que neste país vai deixar de haver «intocáveis»?
Quando será que os «incomodados» começam a ser responsabilizados pelos seus actos e decisões arbitrárias?
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I N C A P A Z
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Aqui, neste país de "faz de conta",
«Justiça»?... Só se diz, mas não se faz.
Aqui, ser consciente é uma afronta,
Quando se faz juiz um "incapaz".
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Aqui só há «Justiça»(?) incompetente,
Pedante até, de tão empertigada,
Com ar de quem se julga eficiente;
Só toga, porque dentro não há nada.
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Condena uma criança, com presteza,
À vida nas estepes, como quem
Tem "culpa" por ter tido aquela mãe.
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E, sem discernimento, nem certeza,
Decide que, sem traumas, a criança,
Só tem que agradecer-lhe tal mudança.
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Vítor Cintra

Sexta-feira, Maio 22, 2009

E já passaram 3 anos

O tempo corre.
Há três anos, com este post, esta página começava a jornada, que havia de dar a conhecer muito da minha forma de ser e pensar.
Ao longo destes anos, muitos amigos vieram ler-me. Uns apoiando-me, outros nem tanto.
Vários são os que abandonaram a blogosfera (afinal tudo tem o seu fim), mas outros ainda não desistiram. A todos, tanto aos que por cá continuam como aos que ficaram pelo caminho, quero cumprimentar, agradecendo a amizade e a honestidade dos comentários, mesmo quando discordantes.
Mas também por aqui passaram uns tantos "amigos (?) da onça".
A esses tive oportunidade de dizer-lhes que deveriam ter lido a nota introdutória:
Este é um espaço de análise e opinião. Da minha análise sobre factos e coisas do dia a dia, e da opinião que à cerca delas vou construindo. Sobre o que escrevo, muitos dos que me lerem estarão de acordo e muitos outros discordarão. Não há mal nenhum nisso. Assim uns e outros saibam respeitar a opinião contrária.
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A todos os que me têm acompanhado, dedico o poema:
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P O N D E R A Ç Ã O
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Porque há sempre ligação
Entre o certo e o errado,
Responder com 'sim' ou 'não'
Sem conceito bem fundado,
Pode não ser acertado.
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Cada homem faz a vida
Com vivência singular;
Se não for empreendida
Duma forma regular,
Pode nunca resultar.
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Cabe, pois, a cada qual
Demonstrar ponderação;
Sem julgar o seu igual
Por razões do coração,
Que se furtam à razão.
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Vítor Cintra
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No livro: MEMÓRIAS

Domingo, Maio 17, 2009

Apresentação de «Pedaços do Meu Sentir»

Além dos poetas Paulo Afonso Ramos e Xavier Zarco que apresentaram o livro, honrando-me com as suas palavras e amizade, tive, na mesa, a companhia constante (como pode ver-se) dos meus netos, também eles com uma actuação brilhante, ao recitarem um dos poemas do livro Pedaços do Meu Sentir.
Na impossibilidade de agradecer individualmente a todos os amigos que quiseram partilhar comigo o momento, honrando-me com a sua presença, e àqueles que, na impossibilidade de o fazerem, me telefonaram ou enviaram mensagens, quero expressar o meu reconhecimento pelas palavras de amizade e apoio, dedicando a todos este poema.
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F A N T A S I A
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Nasceu no tempo do nada,
Filha de coisa nenhuma,
Sua madrinha era fada,
Vestia de sumaúma.
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Ouvia, mas não falava,
Não tendo boca, comia,
Não era dócil, nem brava,
Apenas graça e magia.
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Às vezes tornada louca,
Seguindo seu rumo à toa,
Fazendo mal, era boa.
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Mas outras, com coisa pouca,
Tomando as asas do vento,
Tornava-se pensamento.
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Vítor Cintra
No livro: Pedaços do Meu Sentir

Terça-feira, Maio 12, 2009

Pedaços do Meu Sentir

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Veteranos sem Apoios


Citando um relatório da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) o Diário de Notícias de 06-01-2009, diz que naquele documento pode ler-se, a certo trecho:
"Enquanto empregador responsável, as Forças Armadas têm o dever de cuidar dos seus actuais e antigos empregados."
e ainda, entre outras recomendações:
"É no interesse das Forças Armadas, como empregador, cuidar dos veteranos, na medida em que melhores serviços para esses combatentes também podem ser vistos como um incentivo ao recrutamento."
É óbvio que o relatório, para os governantes portugueses (muitos deles fugidos, como se sabe, ao cumprimento do serviço militar e regressados, de exílios 'dourados', após o 25 de Abril de 1974), não tem qualquer mérito, nem faz qualquer sentido. Será até (quem sabe?) disparatado nas suas análises e conclusões.
Quanto a nós, antigos combatentes, ele é completamente inócuo, já que, para além de não merecer qualquer atenção por parte dos (des)governantes que nos esbulham, não vem acrescentar nada ao que qualquer cidadão medianamente inteligente, há muito sabe.
Aliás, no caso de Portugal, atrevo-me mesmo a dizer que a maioria dos veteranos nem desejaria mais nada senão ser tratado com respeito.
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C O N T R Á R I O
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Não me atinge o "vomitado"
De quem vive amargurado
Por só ter, do seu passado,
A memória da traição;
Nem me acusa a consciência
De fingir, na dissidência,
Causas nobres, ou decência,
Mascaradas de razão.
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Combati com desencanto,
Vivi luto, dor e pranto,
Não fui mártir, nem um santo,
Fui apenas cidadão;
Mas na minha caminhada
Não traí ninguém, nem nada,
Nem fugi da terra amada.
Não me queiram dar lição!
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Vítor Cintra
Do livro: ENCRUZILHADA

Sábado, Abril 25, 2009

Liberdade... ou ditadura partidária?

(imagem recolhida na internet)

António Capucho, Presidente da Câmara Municipal de Cascais defendeu, em entrevista ao Correio da Manhã, a redução do número de deputados.
...
«Não acredito na operacionalidade nem na democraticidade das instituições parlamentares de dimensão excessiva. Fui líder parlamentar em duas circunstâncias e mais tarde ministro dos Assuntos Parlamentares. Sei do que falo: 50 deputados são suficientes para desempenhar cabalmente as competências constitucionais da Assembleia da República, sem prejuízo para a representatividade das forças partidárias e das regiões.»
Estas são, segundo a revista Sábado, palavras de António Capucho.
Quanto a mim, parece-me que este modelo de representatividade, exclusivamente partidária, onde a chamada "disciplina de voto" permite DITAR a vontade dum qualquer interesse (seja do DITADOR do partido, por mais imbecil que ele seja, ou do seu bando), já demonstrou, de forma cabal, o inviesamento do sistema, a que os priviligiados continuam a chamar de "democrático".
Que 50 deputados sejam suficientes, não restam dúvidas nenhumas, desde que esses deputados respondam perante os seus eleitores e NUNCA perante o "ditador" do seu partido. A não ser assim, até os 50 são demasiados, pois hão-de colocar sempre interesses clientelistas acima dos interesses da grei.
Em tempo de crise, não seria uma medida patriótica acabar com todo este parasitismo político?
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C E P T I C I S M O
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Além de ter passado a vida toda
Cumprindo o que julgava ser o certo,
Sou velho p'ra abraçar agora a moda
De dar valor diferente ao que está perto.
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Não creio haver políticos honestos;
São duas condições que não combinam.
Mas há aí, também, como no resto,
Pessoas esforçadas, que me animam.
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Pedir ao povo fé no Parlamento
Sem que, dali, lhe venha coisa em troca,
Além de muita "treta" e puco tento,
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É como mascarar um sentimento
De culpa, que a mudança nos provoca,
Se nisso for quebrado um juramento.
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Vítor Cintra
No livro: RECADOS

Quarta-feira, Abril 15, 2009

Pedaços do Meu Sentir

No próximo dia 16 de Maio, às 19,00 horas, no Auditório - Campo Grande nº 56, em Lisboa - será a apresentação deste novo livro de poemas, publicado sob a chancela da editora «Temas Originais, Lda».
O livro, em cuja capa se reproduz uma tela da pintora Alvani Borges, tem Prefácio do poeta António Paiva e será apresentado pelo poeta Xavier Zarco.

Terça-feira, Abril 07, 2009

FELIZ PÁSCOA!

Quinta-feira, Abril 02, 2009

Dia Mundial da Consciencialização do AUTISMO

AUTISMO o que é?

"É hoje geralmente aceite que as perturbações incluídas no espectro do autismo, Perturbações Globais do Desenvolvimento nos sistemas de classificação correntes internacionais, são perturbações neuropsiquiátricas que apresentam uma grande variedade de expressões clínicas e resultam de disfunções do desenvolvimento do sistema nervoso central multifactoriais "
(Descrição do Autismo, Autism-Europe, 2000).
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Despertar consciências para uma causa tão importante, é o objectivo da evocação que hoje se faz. Uma visita ao nosso amigo Mário Relvas será, de certo, muito mais elucidativa do que qualquer explicação minha.
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R U M O S
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Ditos que doem,
Vozes que moem,
Ais que destroiem,
Sensos errados.
Vidas vazias,
Águas bravias,
Notas esguias,
Dizem-se fados.
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Pedras que rolam,
Ecos que isolam,
Ventos que assolam
Prumos e lados;
Mentes que brilham,
Mãos que dedilham,
Pés que andarilham
Rumos traçados.
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Vítor Cintra
No livro: CONTRASTES

Quinta-feira, Março 26, 2009

EÇA DE QUEIROZ - O que diria hoje?

(imagem recolhida na internet)

"ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que à muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?"

(Eça de Queiroz, 1867 in "O distrito de Évora")
Hoje, 142 anos depois, estamos bem pior.
É que hoje, os políticos já não discursam com cortesia e pura dicção, alguns (muitos) escrevem mal e com erros e, quanto à inteligência... (para a 'tramóia' é óbvia).
Quanto ao restante, concordo totalmente com a análise de Eça de Queiroz. Se alguma diferença há, é para pior.
No que concerne à independência, todos sentimos que, a confusão é tal que qualquer semelhança é mera coincidência.
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P E R D I D O
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Sem eira, nem beira!
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Sem norte,
Sem rumo,
Numa caminhada
Sem sorte e aprumo,
Nem pressas,
Nem meças.
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E, queira ou não queira,
Co' a vida às avessas.
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Com tudo e sem nada!
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Vítor Cintra
No livro: MOMENTOS

Sábado, Março 21, 2009

Imprensa (in)dependente?

(imagem recolhida na internet)
No passado dia 17 de Março, o rei e a rainha da Jordânia, visitaram, no concelho de Sintra, uma unidade industrial, de capitais maioritariamente estrangeiros, cuja produção se destina principalmente ao Mercado Externo (cerca de 80%).
A visita não mereceu destaque, nem sequer foi nota de rodapé, nos noticiários televisivos.
No dia seguinte, 18 de Março, o Presidente da Câmara Municipal de Sintra presidiu à inauguração de uma unidade industrial, de reciclagem de RCDs, instalada em Pero Pinheiro, concelho de Sintra, cujo investimento de cerca de UM MILHÃO de €, foi feito com capitais exclusivamente portugueses.
O evento não mereceu destaque, nem sequer nota de rodapé, nos notíciários televisivos.
Num e noutro caso foram as «televisões» atempada e oficialmente informadas e, no segundo caso, pelo menos, formalmente convidadas.
Tendo em conta, não só o estatuto dos visitantes jordanos, no primeiro caso, mas também a importância do empreendimento e do investimento, no segundo caso, principalmente porque a crise económica, que nos atinge, tem raízes muito mais antigas do que a crise internacional, uma imprensa independente e isenta, nunca deixaria de noticiar qualquer dos eventos. (Digo eu, que não sou, como os senhores directores de informação das estações televisivas, "jornalista?", claro). Mas, mesmo não o sendo, a questão não deixa de me confundir.
Porquê a ausência e o silêncio?... Qual a razão do desinteresse?... Especialmente se tivermos em conta que, no próprio dia 17, as mesmas televisões compareceram em peso, e noticiaram com destaque a visita dos monarcas jordanos a uma escola, na Amadora, onde por acaso (só por acaso, obviamente) estava presente a sra. ministra da educação(?).
Por acaso também (só por acaso, obviamente) o Presidente da Câmara Municipal de Sintra, não pertence ao "partido do governo".
E por acaso (só por acaso, ainda), as televisões não perdem uma única demonstração do «Magalhães», quando o ilustre "vendedor", anda nas escolas a distribui-los, mesmo que logo a seguir, depois do 'show' televisivo, os manda recolher, para repetir, noutra escola, a mesma "palhaçada" propagandística.

É claro que a imprensa é (in)dependente. Ninguém duvide!
Não se sabe muito bem é de quê?...
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S E G R E D O S
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Existe um passado escuro
Na vida de cada um
Que, se fora do comum,
Se cala, como nenhum,
Julgando-se estar seguro.
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Não há, porém, um segredo,
Por muito que bem guardado,
Que seja 'não cobiçado'
Por quem se vê bafejado
Por gula de um bom enredo.
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Por isso mesmo a verdade,
Que vem à luz algum dia,
Na mente de quem porfia,
Só tem qualquer mais valia
Se for mordaz novidade.
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Vítor Cintra
No livro: CONTRASTES

Segunda-feira, Março 16, 2009

«Bestas de lugar nenhum»

(imagem recolhida na internet)

Num país da África Ocidental, de um momento para o outro, a vida do jovem Agu muda radicalmente. A paz na aldeia em que vive com os seus pais e a irmã é rompida com a chegada de uma milícia liderada por um homem louco e cruel.
Sozinho, afastado da sua família, Agu, recrutado como o mais novo soldado do grupo, é obrigado a matar para não morrer, presenciando os horrores de um conflito, que não compreende, e tornando-se parte dele.
***
Esta é a história que, no seu romance de estreia, o escritor nigeriano Uzodinma Iweala nos relata, na primeira pessoa, em «Beasts of No Nation» (2005 Harper Perennial), como experiência de uma das muitas crianças obrigadas a combater, como bestas ferozes à solta, nas mãos de comandantes sanguinários.
(Fonte de informação: Revista Além-Mar)
O número de "crianças-soldados" diminuiu nos últimos anos, mas estima-se que ainda existam 250.000 menores, em todo o mundo, envolvidos em conflitos.
Pelo menos 24 países ou territórios obrigam milhares de crianças a servir nos seus exércitos ou em grupos armados.
Na maior parte dos casos, subjacente aos conflitos nesses países ou territórios, estão as riquezas do subsolo, ou outros interesses inconfessados. Mas nunca preocupações com os direitos das populações.
Amargamente curioso é o silêncio dos "paladinos" dos direitos humanos, quando se trata de governantes ou comandantes que se situam na sua esfera de interesses.
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C O N C L U S Ã O
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Não julgo haver futuro sem esperança,
Nem temo a minha sorte, nem a tua,
Mas temo pela vida da criança
Que passa, descuidada, pela rua.
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Não creio que a bandeira, que se agita,
Nas mãos de pacifistas de fachada,
Resulte na maneira mais bonita
De ter um amanhã melhor que nada.
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Porquê tapar o sol co' uma peneira
Ao por-se, duma forma masoquista,
Ao lado duma corja oportunista?
.
Existe uma lição mais verdadeira:
- Quem quer manter a paz na sua terra
Terá que prepará-la para a guerra!
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Vítor Cintra
No livro: DIVAGANDO

Sexta-feira, Março 13, 2009

DIA MUNDIAL DA POESIA

(imagem recolhida na internet)

Hoje, dizem alguns, comemora-se o "Dia Mundial da Poesia". E, porque não?... Há dias mundiais para tudo e mais alguma coisa, porque não para a Poesia?
Seja ou não importante, julgo que não faz mal nenhum - muito pelo contrário - evocar a Poesia.
Sendo assim, aqui fica a minha homenagem a todos os poetas.
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P O E T A
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Ser poeta... é delirar,
Delirar alegre ou triste;
Fazer versos é sonhar
Co' aquilo que não existe.
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Ser poeta... é esquecer,
Da vida, a realidade,
É, num abraço, abranger
O mundo e a eternidade.
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Ser poeta, realmente,
É viver da ilusão
Nas horas de solidão;
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É escrever o que se sente
Dando asas, livremente,
À nossa imaginação.
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Vítor Cintra
No livro: DISPERSOS

Sábado, Março 07, 2009

De volta


Depois de uns dias ausente, desta vez em trabalho e não em passeio, estou de regresso.
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À minha espera, um mimo da amiga Ana Martins, representado pelo "selo" que acima reproduzo. Obrigado Ana, pela tua gentileza e amizade.
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Infelizmente nem tudo me deixa inteiramente feliz.
Parte das expectativas que tantos amigos (e eu próprio) tinham a respeito da decisão dos senhores juízes, sobre o caso de FLÁVIA , de que vos dei conta no artigo anterior, gorou-se. Mas se todos os quesitos não alcançaram êxito, pelo menos uma parte encontrou eco na voz da Justiça de Brasília, como podem ver no blog de Flávia.
Os juízes deliberaram responsabilizar o condomínio, proprietário da piscina que foi causa do acidente, e determinar o pagamento da indemnização, por parte da seguradora, o que quer que isso represente. Ilibaram também de qualquer responsabilidade no acidente, Odele, mãe de Flávia.
Fraco êxito, porém, se se tiver em atenção que a irresponsabilidade de fabricantes ou instaladores, condenou uma criança a um estado de coma que nenhuma indemnização reverterá.
Só que, "sentados no banco dos réus" estavam entidades muito mais poderosas do que uma Mãe, clamando por justiça.
É assim, infelizmente, a justiça dos homens. presa a leis genéricas e naturalmente insensíveis a dramas como este.
Não sei se, neste caso, o poema que se segue é ou não justo, mas é o que me apetece dizer.
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J U S T I Ç A
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Se alguma vez encontrei
Razão p'ra compor poemas
Foi ao ter visto que a lei
Põe os interesses da grei
Atrás de muitos esquemas.
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Sabendo quanto me exponho
Às críticas discordantes
Não abro mão do meu sonho;
Compondo, como componho,
Acuso apenas tratantes.
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Justiça?!... Se fosse feita
Sem ver o nome do réu,
Não sendo embora perfeita,
Faria andar mais direita
A vida de quem sofreu.
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Vítor Cintra
No livro: MOMENTOS

Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009

BRASÍLIA - Superior Tribunal de Justiça

«SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - BRASÍLIA
Por publicação no Diário Oficial desta data, o processo de
Flavia entrou em pauta de julgamento para o próximo dia 03 de março, perante a Quarta Turma do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, em Brasilia, sob a relatoria do Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, o primeiro a votar. Na sequência, a ordem de julgamento é a seguinte: Ministros Fernando Gonçalves, Aldyr Passarinho Jr, J.O. de Noronha e L.F. Salomão.
Estarei informando aos leitores do blog de Flavia sobre os passos deste julgamento, há tantos anos aguardado.
E por favor, leiam também os comentários deixados neste post. É a demonstração da enorme solidariedade recebida do Brasil e de outros países, dos que acompanham a história de Flavia e minha luta por justiça para minha filha
.
Com a nota acima, Odele , incansável na sua demanda por justiça para a filha, dá-nos conta de que, decorrida mais de uma década, a Justiça brasileira vai finalmente acordar da sua dormência.
Esperemos que os senhores juízes saibam ver que justiça, a verdadeira JUSTIÇA, é muito mais do que cingirem-se simplesmente à letra da lei já que esta, necessariamente genérica e limitada, não pode, em rigor, quantificar a dimensão de um crime de irresponsabilidade, que priva uma criança de viver, condenando-a perpetuamente ao "coma".
Este artigo é, não mais, do que o meu abraço solidário e a minha forma de dizer-te que, por esse mundo além, muita gente está contigo, Odele.
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E M.. T I
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Em ti se engrandece a vida!
Em ti se repete o mundo
E, num confronto fecundo,
Em ti começa a subida.
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Em ti se repete a esp'rança!
Em ti se vive o futuro
E, num impulso seguro,
Em ti se faz a mudança.
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Em ti a paz acontece,
Com grande sagacidade
E toda a tranquilidade.
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Em ti a luz aparece,
Em cada olhar, cada gesto,
Por mais que seja modesto.
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Vítor Cintra
No livro: DIVAGANDO

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

CRISE - Consequência da desumanidade

(imagem recolhida na internet)
A crise actual afecta toda a população mundial. Mas não atinge todos de igual forma. É muito mais grave nos países pobres.
Tomemos como exemplo o caso da alimentação no mundo.
Nos países mais ricos, os gastos com alimentação podem somar 20% do rendimento das famílias. Nos mais pobres, porém, especialmente na América Latina, na Ásia e em África, a sobrevivência alimentar exige até 80% dos recursos das populações.
Se, nos países ocidentais, perante a escalada dos preços, para minimizar as consequências da crise, as pessoas mudam alguns dos seus hábitos, num esforço de contenção das despesas, já nos países mais pobres não há hábitos que se possam alterar e a subida do preço dos alimentos, nomeadamente dos cereais, afecta directamente os estomagos e a saúde das populações.
Muitos economistas apontam diversos factores como responsáveis pelo agudizar da crise alimentar no mundo. Alguns referem o aumento dos preços dos combustíveis e a instabilidade dos mercados, por agravarem os custos de produção, transportes, sementes, adubos, rações, etc., como responsáveis pela crise. Outros, assinalam a diminuição dos fundos aplicados no desenvolvimento da agricultura como o factor com maiores responsabilidades. Alguns outros, contudo, atribuem a escassez à opção de afectar grandes extenções de terras, à produção de cereais para a produção de biocombustíveis em vez de as destinar à produção de alimentos.
Certamente que todos eles terão alguma razão, mas a falta de alimentos é consequência, especialmente da má distribuição dos bens que a terra produz.
De acordo com a FAO produzem-se anualmente alimentos suficientes para alimentar o dobro da população actual. Mas enquanto alguns países vivem na abundância e desperdiçam até os bens que têm, outros vivem na penúria.
Tomemos como exemplo o caso da Inglaterra:
Os ingleses deitam fora, anualmente, cerca de 12 milhões de euros em alimentos bons. Diariamente são lançados nos contentores britânicos mais de um milhão de iogurtes, mais de 650 mil ovos e 550 mil frangos, perto de dois milhões de bananas, mais de quatro milhões de maçãs.
(Fonte de informação: África Gonzalez/Fernando Félix)

Mais do que desperdício trata-se de imoralidade.

A N T Í T E S E

Quando o rico diz ao pobre:
"Não há nada que me sobre!"
Fala a voz da avareza
Companheira da riqueza.
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Mas o pobre pensa e diz:
"Com bem pouco sou feliz!"
Fala apenas como sente,
Pensa só no seu presente.

Falam coisas bem diversas,
Neste tipo de conversas,
Mas nenhum o compreende;
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Pensa o pobre nas migalhas,
Fala o rico em vitualhas.
Este mundo não se entende.

Vítor Cintra
No livro: ECOS

Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

DARFUR - Limpeza Étnica

(imagem recolhida na internet)

Nyala é uma cidade que ultrapassa já o milhão de habitantes e continua a crescer. O seu desenvolvimento, que se iniciou em 1960 com a chegada da rede ferroviária, continuou com a construção do aeroporto e o serviço aéreo assegurado por diversas companhias sudanesas.
Só que esse progresso não inclui os Fur, povo autóctone da região, cuja aniquilação total poderá, a qualquer momento, transformar-se em realidade, por maldade e cobardia de pessoas que, sem escrúpulos, se impõem como senhores da vida e morte de outros.
Fontes credíveis afirmam que, no cerne do conflito do Darfur, está a determinação da pureza da raça árabe levada ao extremo do exclusivismo, e cuja consequência é a prática duma «limpeza étnica» que visa eliminar as tribos de origem africana: os Fur, os Massalite e os Zaghaua, com os seus múltiplos subgrupos.
O conflito do Darfur não é mais do que um fenómeno de racismo fundamentalista cuja primeira e maior responsabilidade é atribuída a Omar El Bachir, presidente do Sudão.

(Fonte de informação: Revista Além-Mar)

Perante tal genocídio tornou-se terrivelmente ensurdecedor o silêncio do mundo, a começar pelas Nações Unidas. Porquê?... Indiferença ou receio de melindrar os árabes?
Se, na terra dos Fur, estivessem em causa matérias primas estratégicas, será que a indiferença seria a mesma?
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E S P E R A N Ç A
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Eu sinto que ao cantar esta balada
Um sonho d' esperança me ilumina,
Nas vozes que murmuram, em surdina:
"A paz há-de chegar co' a madrugada!"
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São vozes de crianças, onde o medo
Cavou a noite escura do terror;
Unidas, por carência dum amor,
Partilham, em comum, o seu segredo.
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Distantes das questões que não entendem,
Dos ódios, das disputas, do rancor,
Que, sem qualquer razão, lhes causam dor;
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Mãos dadas, num carinho que defendem,
São elas que farão que, no futuro,
O mundo possa ser bem mais seguro.
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Vítor Cintra
No livro: DESABAFOS

Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

MIMOS e DESAFIOS

Esta semana foi farta em "MIMOS".
A amiga ROSA SILVESTRE entendeu brindar-me com o selo "Amigos Infonautas", que acima vos reproduzo, e distinguir-me ainda com o "TROFEU PEDAGOGIA DO AFETO". Honram-me estas distinções, especialmente por virem de alguém cujo trabalho muito admiro.
Difícil é exprimir em palavras o meu reconhecimento por estas distinções.
* * * * * * *
Entretanto, recebi da amiga ANA MARTINS um convite ou desafio, a que não soube resistir. Baseia-se nos pressupostos seguintes:

1 - agarrar o livro mais próximo;
2 - abrir na página 161;
3 - procurar a 6ª frase;
4 - colocar a frase completa no blogue;
5 - produzir um texto a partir dessa frase;
6 - repassar a "tarefa" para 5 pessoas.

O livro que estou a ler, intitula-se "O CANTO DA MISSÃO" de "John Le Carré", da Editora "Dom Quixote".
Na sexta frase, da página 161, lê-se: «É tão raro que, em comparação, os diamantes são pedras da rua.»

O texto que se segue é a minha participação, ou resposta ao desafio.

São, apenas, traços de um percurso que se fez lado a lado, caldeados numa receita tão simples quanto única, assim resumida:
"À confiança, soma-se uma boa dose de compreensão, adiciona-se lealdade, espírito de sacrifício quanto baste, solidariedade, partilha de bons e maus momentos, firmeza de convicções e muito respeito."
Mistura-se e deixa-se amadurecer. O resultado é espantoso.
Quando a mistura é bem feita «É tão raro que, em comparação, os diamantes são pedras da rua.»
Chamamos-lhe AMIZADE.
Só um sentimento é capaz de destruí-la.

D E S L E A L D A D E

Se alguma coisa boa co' a idade,
A vida, dalguns homens, demonstrou
Foi sempre que o valor duma amizade
Não cessa se o desprezo o não manchou.

Mas se, por egoísmo, sobrepões
Acima do dever de lealdade
Interesses mesquinhos, ou questões
Que ferem, por cinismo, ou por vaidade,

É tão sentida a mágoa, que se gera,
A dor, que faz crescer desilusão,
Por ver deslealdade sem razão,

Que nunca mais se aceita, ou se tolera,
Quem não se arrependeu, por abrir mão
Dum velho e bom amigo, como irmão.

Vítor Cintra
No livro: AFAGOS

* * * * * * *

Para que a minha parte fique concluída resta-me, apenas, nomear os cinco amigos a quem passo o DESAFIO.

CRIANCICES
PEQUENOS PASSOS
PALAVRAS SOLTAS
LIVROS E AUTORES
FERNANDA & POEMAS

Estes amigos, conjuntamente com AVE SEM ASAS são os meus nomeados como "Amigos Infonautas".
O "Troféu Pedagogia do Afeto" dedico-o a todos aqueles que por aqui passam.

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

SINTRA - Um paraíso sem idade

Sintra foi, de facto, habitada desde o Paleolítico Médio (Idade da Pedra Lascada). Existem vestígios do Neolítico aos Calcolíticos (Idades dos Metais) e Idades do Bronze e do Ferro.
Por Sintra passaram Túrdulos, Celtas, Romanos, Bárbaros, Gregos e Muçulmanos.
Por influência grega, no séc.VI, a serra era denominada por "Promontório das Serpentes". Mais tarde, sob o domínio romano, passou a ser chamada "Promontório Maior" ou "Olissiponense". Monte Sagrado e Monte da Lua são outras designações atribuidas a Sintra.
O toponímio "Sintra", cuja versão documental mais antiga é Suntria, poderá ser originário do indoeuropeu "sun", Sol. O nome de Sintra estará sempre associado aos cultos ancestrais, praticados em rituais ao sol e à lua. Durante a ocupação moura, Sintra caiu várias vezes nas mãos de Cristãos, como: Fernando Magno, Afonso VI de Castela, o nórdico Sigurd, antes de ter sido conquistada por D.Afonso Henriques, em 1147, alguns dias após a reconquista de Lisboa. Foi D. Afonso Henriques quem lhe concedeu foral em 1154, que D.Sancho I confirmou. Em 1514, D.Manuel outorgou-lhe nova carta de foral.
Foi em Sintra que nasceu e morreu D.Afonso V.
No Paço Real, D.Afonso VI esteve cativo, à ordem de seu irmão D. Pedro. No mesmo local onde séculos antes D.Manuel I assistiu à partida das caravelas que haveriam de descobrir o Brasil, foi construído, por D. Fernando, o Palácio da Pena, onde residiu o último rei de Portugal, D.Manuel II.
A Vila foi desde cedo local de veraneio da Casa Real Portuguesa e por lá passaram grandes vultos da História e Cultura Nacionais, e não só, como: D.João de Castro, D.Álvaro de Castro, Francisco de Holanda, D.Jerónimo Contador de Argote, Alfredo Keill, Viana da Mota, Leal da Câmara, Ferreira de Castro, Frederico de Freitas, Luis de Camões, Almeida Garrett, Eça de Queiróz, Lord Byron, William Beckford e muitos outros.
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S I N T R A
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Sintra, vila pitoresca,
Calma e doce, verde, linda,
Onde, filhas da floresta,
Em regatos de água fresca,
Brincam ninfas, hoje ainda.
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Ninfas essas que os poetas
Já cantaram, em poemas
Às amantes mais secretas.
- Rimas breves, indiscretas,
De paixões pouco serenas. -
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Sintra, serra que é da lua,
Onde em certa madrugada,
Só, dançando pela rua,
- Diz-nos a lenda que nua -
Anda uma moira encantada.
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Há mistério nessa lenda.
Um mistério que perdura
E que Sintra não desvenda.
Sem que alguém o compreenda,
Só a vê quem a procura.
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Vítor Cintra
No livro: MEMÓRIAS

Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

Freeport - Onde há fumo...

(imagem recolhida na internet)

Embora a minha fé na honestidade dos políticos seja pouca - para não dizer nenhuma - tenho alguma dificuldade em acreditar que se possa, impunemente, ir tão longe como se tem vindo a insinuar.
Além do mais, até que se prove o contrário - num estado de direito(?) deverá ser assim - todo o suspeito se presume inocente.
Mas que há coisas estranhas... lá isso há. Vejamos algumas:

1) Porque é que o sr. "engenheiro", - ignorando completamente as datas em que as coisas aconteceram - e num desrespeito incompreensível pela independência judicial, se permite declarar que "este assunto vem sempre à baila em períodos eleitorais"?...
Será que a Justiça deve parar quando está em causa a imagem de alguma "vaca sagrada", ou a declaração pretende levantar suspeitas sobre a independência do Sr. Procurador Geral?...

2) Porque é que de repente aparece, na televisão, na rádio, nos jornais, disparando em todas as direcções, um ilustre desconhecido, ex-secretário de estado, com um discurso mais ou menos disparatado, que tão depressa diz, com o maior despudor que, apesar de ter sido violado um D.L, não houve ilegalidade nenhuma, como logo afirma que, embora tendo sido apenas Secretário de Estado, e apesar do Ministro (o sr. engenheiro) seu superior, estar a par de todo o processo, foi ele (ex-secretário) o único e exclusivo responsável pela decisão, não tendo o ministro qualquer responsabilidade?... Inédito!
Afinal os ministros são apenas figuras decorativas?...

A lista de disparates e confusões é tão extensa que é impossível não levantar interrogações.
Vamos esperar para ver se a Justiça segue, ou... faz intervalo(?)
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D I T A D O S
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«Onde há fumo, há fogo!»
Pensa o sabichão;
«Quem entra no jogo,
Não joga sem mão».
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«Quem fez uma aposta,
Julgou ter certeza;
Quem perde não gosta,
Só ganha pobreza!»
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«Em causa perdida
O certo, ou errado,
Tornou-se garrote!»
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P'ra tudo na vida
Há sempre um ditado
Que lhe dá o mote.

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Vítor Cintra
No livro: RECADOS

Sábado, Janeiro 17, 2009

GUINÉ - Podia ter sido diferente?

(imagem recolhida na internet)

Assinado pelo sr. Coronel Vaz Antunes, a revista "O Combatente", de Dezembro de 2008, publica um artigo de cujo conteúdo, destaco o seguinte trecho:
«...
A noite estava cerrada. Na nossa frente viam-se as luzes duma povoação senegalesa. Caminhávamos em silêncio. Chegàmos ao local indicado pelo mensageiro da bicicleta, cerca de 1 km. dentro do Senegal, quando se notou a aproximação de um automóvel que parou a duas centenas de metros, do qual saíram dois indivíduos que se dirigiram para nós a pé.
Era o nosso interlocutor.
O agente fez as apresentações e eu estendi-lhe a mão, o que segundo soube mais tarde, o sensibilizou muito. Ele era o representante do PAIGC.
O interlucotor foi directo:
Não venho tratar de nenhum assunto pessoal nem de grupo restrito. Trata-se sim de problemas que dizem respeito a todos os combatentes do PAIGC.
Andamos já há dez anos nesta luta. Somos agora menos do que quando começàmos. Actualmente não nos entendemos com o escalão político. Eles são cabo verdeanos e comunistas, e nós somos guinéus, combatentes e não comunistas. Desejamos apenas uma Guiné melhor. Já chegàmos à conclusão de que, sozinhos, não somos capazes de a fazer, mas se-lo-emos convosco.
A nossa proposta é muito simples: em dia e hora que se combine acaba a guerra, nós seremos integrados nas forças da Guiné, sem recriminação nem vingança; e depois juntos, faremos a Guiné melhor. Tudo isto tem que ser combinado em curto espaço de tempo e com o maior segredo, porque se for descoberto antes do tal dia e hora terei a mesma sorte que outros companheiros meus já tiveram.
...»
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Sem comentários!
Apenas a minha homenagem ao sr. Coronel Vaz Antunes.
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A M A R G A S
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Amarga foi a forma que, imposta,
Nos fez abandonar aquela gente
E que não só podia ser dif'rente
Mas muito mais leal, como resposta.
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Amarga, na traição que, cometida
Em nome duma falsa liberdade,
Pagou com abandono a lealdade,
De quantos lá viveram toda a vida.
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Amargas são as lágrimas choradas
Por cada um dos velhos camaradas,
Memórias dos soldados que caíram.
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Amargas, mais que as horas de combate,
Os sinos não tocarem a rebate,
Por mortos que os governos omitiram.
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Vítor Cintra
No livro: RECADOS

Segunda-feira, Janeiro 12, 2009

A minha forma de vos agradecer...

Desligue a música de fundo antes de accionar o vídeo


... a todos os amigos que ontem me escreveram, publicamente ou particularmente.