sexta-feira, agosto 13, 2010

Poder de Fogo

Opinião

Poder de fogo

Têm razão os autarcas, desesperados, que querem ver o Exército mais activo, no combate aos fogos. Tem razão o Exército, ao explicar que intervém sempre que haja indicações claras e precisas para tal.
Entendamo-nos: embora ninguém o queira dizer, a época de incêndios devia ser um período de calamidade e estado de emergência. Nalgumas áreas, poderíamos ter de chegar ao extremo de proibir, preventivamente, a circulação, e noutras de instituir patrulhas militares de dissuasão e alerta. Nalgumas florestas remotas, a Força Aérea poderia utilizar meios de reconhecimento. No litoral, a Marinha faria o mesmo. A suspensão de alguns direitos, liberdades e garantias, em parte do território nacional, deve ser antecedida, como manda a constituição, de diversos actos declarativos e de autorização dos órgãos de soberania, mas convém pensar nisso a sério.
O que não se pode é pedir às Forças Armadas que intervenham sem plano, sem mandato, sem instruções, sem poderes e sem objectivos, quanto ao tempo e âmbito da acção.
Não pode esta intervenção derivar da mera boa vontade, ou abnegação, dos comandantes locais, mas de directivas precisas do Ministério da Defesa e do EMGFA, e de formas clarificadoras da relação dos militares com as autoridades de protecção civil.
Não se trata de dizer que as Forças Armadas são especialistas em atear fogos, e não em apagá-los. É evidente que os militares existem para o combate, mas possuem amplas capacidades de ajuda em emergência civil, do transporte e evacuação ao uso de meios de engenharia para abrir sulcos e aterros, para desimpedir caminhos e retirar obstáculos. É também evidente que, em tempo de paz, as Forças Armadas podiam ser usadas para funções de segurança interna, em reforço da PSP e GNR, sobretudo em áreas rurais, tendo ainda em conta que possuem veículos todo-o-terreno, que aquelas não têm em quantidade.
Não pode é o poder político ficar impávido e sereno, nem o poder local esperar que os militares funcionem ad hoc, de improviso e sem ordem.
Nos quartéis, o desejo é sempre o de fazer mais. Um dia, há décadas, houve o sacrifício de muitos jovens militares, trucidados na serra de Sintra, quando cumpriam uma missão impossível. Lembro-me disso, e nunca deixei de lembrar aos meus filhos que ali, naquelas covas e arvoredos, morreram bravos soldados portugueses, pelo bem da sua comunidade.
JN

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É ... P O R T U G A L
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Esta mancha alaranjada,
Que até do espaço reluz...
É Portugal a arder!
.
Esta conversa fiada,
Que o deputado produz...
É Portugal a perder!
.
A vida sacrificada,
Que o povo todo reduz...
É Portugal a sofrer!
.
A 'ode' bem recitada,
Que a todos nós nos seduz...
É Portugal a dizer!
.
Vítor Cintra
No livro: PEDAÇOS DO MEU SENTIR

3 Comentários::

At 14/8/10 12:40 da manhã, Blogger Maria da Luz Borges said...

Pobre Portugal!

 
At 19/8/10 1:14 da manhã, Blogger Ana Martins said...

É Portugal sim poeta, é Portugal e infelizmente no seu pior, porque do melhor já não há quase memória!

Beijinhos,
Ana Martins
Ave Sem Asas

 
At 24/8/10 7:59 da tarde, Blogger Chellot said...

E Portugal diz muito Vítor. O problema é que nem todos ouvem e entendem suas palavras e sentimentos. Só o poeta mesmo.
Beijos doces.

 

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