segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Três perguntas cândidas

(imagem recolhida na internet)
É sob o título em caixa que Pedro Norton, em artigo de opinião, na revista Visão, levanta uma série de questões, agrupadas em três perguntas, de que destaco a primeira, sobre a qual vale a pena reflectir.
«1 - É possível reintroduzir, no discurso público e na praxis política, um conjunto mínimo de referenciais éticos, de valores básicos, que possam servir de chão comum a uma sociedade política que deles depende para ser plenamente legitimada? É possível voltar a ouvir falar de decência, de probidade, de retidão? É possível alicerçar um discurso e uma proposta política em conceitos caídos em desuso? E é possível, a um candidato a primeiro-ministro, assumir, inequivocamente, esta bandeira, a ponto de com ela se comprometer e dela fazer depender o seu futuro político?...»
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Quanto a mim, céptico que sou, face à pouca moralidade e à muita desonestidade de políticos, que estudaram pela cartilha dos sevandijas, oportunistas e mafiosos, não tenho dúvida em afirmar que, nas actuais circuntâncias, não é possível. Para que se torne possível, será necessário demonstrá-lo com actos. E esses actos passam, em primeiro lugar, por exigir responsabilidades a quem, ao longo dos anos lançou Portugal neste lamaçal, julgando e punindo os culpados, os corruptos, os compadres, os oportunistas, os mafiosos. Mas, como se há-de responsabilizar e punir os culpados com uma justiça que, pelo menos aos olhos dos cidadãos, não funciona? Ou está, salvo raras e honrosas excepções, senão ao serviço dos ditos compadres, pelo menos escandalosamente comprometida com eles?
Este regime político está esgotado. Completamente esgotado! Os actores que se exibem no palco da política são desonestos demais, mentirosos demais, medíocres demais, incompetentes demais e até demasiado ladrões para que se acredite que farão, seja o que for, além de se governarem e nos desgovernarem. A verdade é que, cada dia que passa, piora a vida dos portugueses e o futuro de Portugal fica cada vez mais hipotecado.
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D I S S I D E N T E
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Sou dissidente do mundo
Quando, na minha demanda,
Faço passar por ciranda
Sonhos, segundo a segundo.
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Sou dissidente do mundo,
Quando não quero aceitar
Formas de ser, e de estar,
Dum egoísmo profundo.
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Sou dissidente do mundo,
Ao condenar a desgraça,
Que por política passa,
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Quando transforma em imundo
O que há de nobre num povo,
Sob o chavão: "país novo".
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Vítor Cintra
No livro: MURMÚRIOS

6 Comentários::

At 7/2/11 11:10 da manhã, Blogger Zélia Guardiano said...

Bravo!
Bravo!
Bravo, Vitor!
É assim que se fala!
Poema magnifico...
Abraço, amigo!

 
At 7/2/11 7:16 da tarde, Blogger carlos pereira said...

Caro amigo POETA Vitor Cintra;
Sempre contundente e oportuno, com a coragem de chamar os bois pelos nomes. Gostei do comentário; excelente.
Quanto ao soneto, a qualidade que se reconhece na sua poesia.
Um forte abraço.

 
At 7/2/11 11:31 da tarde, Blogger Maria da Luz Borges said...

Mano
Concordo plenamente contigo. Não é possível!
Até onde é que nós os deixamos ir? Quanto tempo mais é que suportamos estes assaltos e faltas de respeito!
Que falta faz a Maria da Fonte!

 
At 8/2/11 10:11 da tarde, Blogger Lídia Borges said...

A busca de um mundo novo que o poeta persegue em oposição à decadência e degradação humanas.

Um prazer esta leitura.

L.B.

 
At 17/2/11 12:55 da manhã, Blogger Ana Martins said...

Caro Vítor,
aplaudo de pé o seu soneto!

Beijinho,
Ana Martins

 
At 23/2/11 7:55 da tarde, Blogger tb said...

Sempre belo este poemar...
Um abraço

 

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