sábado, janeiro 23, 2010

"Saudades de sua voz"

Flávia aos 9 anos
.É este o título do artigo, publicado no nº 601 da revista «ÉPOCA», que Eliane Brum subscreve e onde conta, num relato intenso e pleno de sensibilidade, a "vida cotidiana de Odele e sua filha Flávia - em coma há doze anos, desde que seu cabelo foi sugado pelo ralo de uma piscina."
Deste texto, cuja leitura nos prende do início ao fim, deixo-vos este excerto, impregnado de ternura:
«..."Fá, nem sabe o que aconteceu", diz Maria José Rodrigues, ou Masé, a técnica de enfermagem que chega. "Morreu o Ghost". Masé refere-se à morte do astro do filme Ghost, Patrick Swayze, ocorrida em setembro. "Fá, chorei que nem uma besta nesse filme". Aos 41 anos, Masé cuida de Flávia dia sim, dia não. Entra às 8 horas, depois de completar 12 horas de plantão na UTI de um hospital. Tem pela frente oito horas em que cuida de Flávia com tanto amor que seu próprio filho sente ciúmes. Da rua, ela traz um esmalte rosa-clarinho, transparente, de nome Paraíso, para pintar as unhas da sua "Fafá". Junto vêm decalques de florzinhas para colar em cada unha esmaltada. Masé tem um lugar especial em uma vida condenada a ser tecida por outros. "Fá, será que um dia eu vou ouvir sua voz?"...»
Não surpreende, de modo nenhum, este carinho que Masé demonstra ter por Flávia.
Flávia tem, mundo além, amigos que conhecem a sua história, graças à voz que o amor de sua mãe, Odele, incansavelmente lhe dá. Amigos que, mesmo não a conhecendo pessoalmente, lhe têm carinho, na exacta medida que nutrem, também, uma imensa admiração por sua mãe. Pela sua dor, pelo seu sacrifício, pela sua inigualável tenacidade na demanda por justiça, pela sua inigualável dedicação.
Esta publicação, «ÉPOCA», recebi-a de Odele, por ocasião do meu aniversário. Foi, certamente, de entre todas as lembranças que recebi, a que mais me sensibilizou.
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À S.... M Ã E S
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A mãe é p'ra cada um,
O maior ser de excepção,
Com lugar no coração,
Mais sagrado que nenhum.
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A mãe é, por mil razões,
O padrão do Universo,
Mesmo quando controverso
Seu saber e decisões.
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São angústias que supera,
Desencantos, até vícios,
P'lo carinho que nos tem.
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Desde o ventre, que nos gera,
Não se poupa a sacrifícios,
Porque mãe, é sempre Mãe.
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Vítor Cintra
No livro: ECOS

7 Comentários::

At 23/1/10 11:06 da tarde, Blogger Ana Martins said...

Cari Vítor,
este soneto dedicado aqui à nossa querida Odele transmite muito bem o AMOR de uma GRANDE MÃE que há 12 anos luta por justiça.

Gostei muito desta magnifica homenagem!

Beijinhos,
Ana Martins

 
At 24/1/10 12:33 da manhã, Blogger Odele Souza said...

Vitor,

És sempre tão delicado.
Agradeço-te por este post onde mais uma vez me honras com tuas palavras de apoio, de afeto, de amizade.

Jamais vou esquecer que foste tu quem me abriu as portas de Portugal. Foi através deste teu espaço que outros portugueses tomaram conhecimento da história de Flavia, que foram chegando e a partir daí, como diz Eliane Brum na reportagem da Revista Época, fiz amizades profundas com gente que nunca toquei.

Deixo-te um forte e carinhoso abraço.

 
At 24/1/10 3:00 da manhã, Blogger Sonhadora said...

Querido Victor
triste história, sem palavras.
mas um belo poema.

Beijinhos
Sonhadora

 
At 24/1/10 10:53 da manhã, Blogger Maria da Luz Borges said...

E nós tivemos a grande benção de ter a mesma mãe!
Que grande sorte a minha!!!
Uma mãe especial, que nos fomentou o gosto pelas palavras, um pai sonhador e bom que nos mostrou que ser sensível é coisa boa, uns irmãos um pouco loucos, mas cheios de luz e tu que senpre me mostraste qual o caminho correcto e me fizeste sentir especial. Obrigado pelo que representas para mim!
Gosto muito de ti!!!
Luz

 
At 24/1/10 5:36 da tarde, Blogger Rosa Silvestre said...

Mãe é sempre mãe, e eu perdi fisicamente a minha em Setembro....razão pela qual andei também um pouco deprimida....além de trabalho que se foi acumulando.
Um grande abraço, RS.

 
At 28/1/10 9:34 da manhã, Blogger Teresa Durães said...

Como mãe, obrigada pela homenagem

 
At 28/1/10 10:05 da tarde, Blogger Å®t Øf £övë said...

Vítor,
A Odele é uma mulher e uma mãe com um amor e uma entrega inegualável para com a sua filha Flávia, e por isso todo o nosso apoio e reconhecimento seve para lhe continuar a dar forças e incentivo para a continuação da sua luta.
Gostei muito do teu poema.
Abraço.

 

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