sábado, novembro 14, 2009

O 3 invertido

(Palácio da Regaleira)
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Sintra, foi terra de Templários, de Maçonaria, de Priorados, de Orgias. Talvez devido ao misticismo que, desde tempos imemoriais, envolve a serra e a vila, foi lugar privilegiado de encontros clandestinos, ou secretos. Certos locais têm história na vida de algumas instituições, ou sociedades secretas. E ainda hoje se conservam os símbolos, ou sinais, então usados para os assinalar a quem os procurava.
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Um desses locais, o antigo Hotel Victor, que foi frequentado por gente como Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Ramalho Ortigão e tantos outros, e que, como se sabe, é retratado na obra de Eça de Queiroz, intitulada «Os Maias», era sinalizado com o nº 3 invertido.
– O tal número 3 que, por estar invertido, parece ter provocado um nó na cabecinha de uma certa “loira burra” (haverá tristeza maior?) que andou por Sintra a exibir a sua ignorância. –
Mesmo para um leigo, não se torna difícil concluir que tipo de reuniões aconteciam naquele velho edifício, sabendo-se que foi mandado edificar por Victor Sasseti, dono do hotel Bragança, em Lisboa, maçom e amigo de António Carvalho Monteiro e de Luigi Manini, o arquitecto italiano autor do projecto da Cottage Sasseti, na encosta dos Mouros, que é actualmente propriedade da Câmara Municipal de Sintra.
Cabe referir ainda que António Carvalho Monteiro, nascido no Brasil, no século XIX, adquiriu, em Sintra, à Marquesa da Regaleira a Quinta, de que se tornou proprietário, e foi o arquitecto, Luigi Manini, o autor do projecto das obras, de cunho acentuadamente esotérico, efectuadas depois, na propriedade.
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Além de outros significados, o 3 invertido, tal como o triângulo invertido, representa o princípio masculino. O número 3 tem importantes conotações maçónicas (por exemplo, os três símbolos da Maçonaria são o Esquadro, Nível e o Fio de Prumo). Três são também as Graças, como se pode ver no painel da Regaleira.

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Em Portugal costuma dizer-se que a ignorância é mãe da imbecilidade.
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L E I T U R A
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De quem não lê, tenho pena,
Por pouco ser o saber,
Mas só tem alma pequena,
Quem sabe mas não quer ler.
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Se, co' a leitura, aprendi
Muitas das coisas que digo,
Também um livro, p' ra ti,
Pode ser como um amigo.
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Diz-se que ler é à toa,
Se não se gosta do tema,
Mas a leitura, que é boa,
Tem o saber como lema.
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Muitos dos livros que li,
Li-os pensando comigo:
"As horas gastas aqui,
São ganhas! Mais não consigo!"
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Vítor Cintra
No livro: VERTIGEM

4 Comentários::

At 16/11/09 12:27 da manhã, Blogger Odele Souza said...

Amigo,

Que encantador é o Palácio da Regaleira.
E quanto aprendi com este teu post.
Uma aula indispensável para a senhora "que andou por Sintra a exibir sua ignorância"

Bonito e tão verdadeiro o teu poema.

Quem não tem o hábito da leitura vive em um mundo pequeno. Uma vez li esta frase com a qual concordo inteiramente: Ler é viajar sem sair do lugar.

Beijinhos e boa semana.

 
At 16/11/09 10:02 da tarde, Blogger Maria da Luz Borges said...

E tivemos que a aturar tantos anos!... o pior de tudo é que eles se acham muito espertos...
Luz

 
At 18/11/09 12:15 da manhã, Blogger Ana Martins said...

Caro Vítor,
Maitê Proença deveria ler este tão lindo e sensato poema!

Beijinhos,
Ana Martins

 
At 21/11/09 12:49 da manhã, Blogger Mário Relvas said...

Olá Vitor,

passando encantado.

Abraço

 

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