sábado, outubro 16, 2010

Se não fosse trágico...

(imagem recolhida na internet)
"Não são sacrifícios incomportáveis. O povo tem de sofrer as crises como o Governo as sofre"
Esta pérola de retórica é o brinde mais recente do «ilustre» iluminado, ao povo português.
O mesmo iluminado que em tempos foi dogmático sobre a impossibilidade de se construir o novo aeroporto de Lisboa na margem sul do Tejo, por causa do perigo de "bombas na ponte", abriu agora a boca para nos brindar com mais esta «preciosidade intelectual».
Referia-se, «sua exceleência», obviamente, aos enormes sacrifícios que as medidas propostas pelos inimputáveis (des)governantes do seu partido, o PS, pretendem implementar, para reduzir o défice das contas públicas, cuja catastrófica situação, ele próprio não só defendeu como ajudou a criar.
Ouvi-mo-lo poucas vezes (graças a Deus!), mas nessas poucas vezes que abre a boca, não entra mosca, certamente.
A verdade é que, se não fosse trágico, seria anedótico.
Se bem que, vindo de certas "aventesmas", qualquer arrazoado é de esperar, por mais anormal que seja.
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D E S A G R A V O
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Os crimes cometidos por traição,
Por medo, por inveja, ou cobardia,
Por conivência, ou simples omisão,
Não ficarão calados mais um dia.
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Surgidos dos exílios de lazer,
- Vergonha dum passado feito História -
Guindámos às cadeiras do poder
Os homens de mais triste e má memória.
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Farrapos, já, dum povo enobrecido
Por feitos grandiosos, no passado,
Mimámos a escumalha da nação;
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Mas breve há-de surgir a geração
Que lave o luso nome, emporcalhado
Por trastes sem vergonha e punho ergido.
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Vítor Cintra
No livro: VERTIGEM

3 Comentários::

At 16/10/10 2:03 da tarde, Blogger Zélia Guardiano said...

Bravo, Vitor!
Bravo!
Adorei os seus versos, bem como o texto elucidativo...
Grande abraço

 
At 16/10/10 11:25 da tarde, Blogger carlos pereira said...

Caro Poeta Vitor;

É realmente de uma desfaçatez aberrante esta afirmação "iluminada" deste, não mais "iluminado" ex (des)governante, autêntico "fóssil" político que, já se devia ter calado há muito tempo.
Gostei muito do texto; sintético, mas corrosivo.
Quanto ao soneto, certamente que me vou repetir; ENORME.O meu caro, é para mim um dos maiores sonetistas.
Um forte abraço.

 
At 18/10/10 1:13 da manhã, Blogger Maria da Luz Borges said...

Ai que povo tão burro que vota em iluminados destes!...
Quando será que acordamos?

 

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