sexta-feira, janeiro 26, 2007

RIO DE ONOR - Um viver único


(Imagem Tempo Livre)

O nº 178 da revista "Tempo Livre" publica, da autoria de Lourdes Féria, um trabalho sobre esta aldeia comunitária luso-galega, que vale a pena ler, e do qual destaco estas passagens :

"(...) A placa junto à ponte sobre a ribeira do Condensa, um afluente do Sabor, anuncia que entrámos nos domínios de Rio de Onor, território fronteiriço dividido ao meio por uma linha imaginária, completamente artificial. Acaba ali Portugal e começa a Espanha, garantem as cartas geográficas. Ou talvez seja o contrário, vá lá saber-se ao certo. Para os habitantes desta povoação tão peculiar as fronteiras políticas não contam, pois desde sempre se registaram casamentos entre as famílias dos dois países e o espírito de convivência nunca esmoreceu. No fundo, falam o mesmo dialecto, num minuto palmilham os pouco mais de 150 metros de estrada e batem à porta dos seus "hermanos", comungam as horas de alegrias e as de tristeza. Não faltam nos baptizados nem nos funerais. (...)
O conselho dos "homens bons", organismo inacessível às mulheres, fazia cumprir com espírito patriarcal e sem apelação certas normas. (...)
Aos homens de "rodra" competia vigiar as águas dos coutos, ir a Bragança comprar adubos ou cimento e pagar as contribuições da aldeia. Os habitantes de Rio de Onor raríssimas vezes recorriam aos tribunais. O conselho resolvia as questões do gado, dos danos causados na propriedade de cada um e até os roubos. (...) Se uma vaca partisse uma perna e tivesse de ser abatida, os vizinhos eram obrigados a comprar uma determinada quantidade de carne, proporcional ao número de pessoas da casa e aos bens que possuíam, para minimizar o prejuízo. (...)"
.
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RIO D' ONOR
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Rio d' Onor se chama
E tem por divisa
Ser tão transmontana
Como da Galiza.
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Os tempos passados
Em isolamento
Ficaram marcados
No comportamento.
.
Ali há preceito
De comunidade
Sem perder respeito
P'la identidade.
.
Extinta a fronteira,
Aberta a corrente,
Nem dessa maneira
A vida é diferente.
.
Por ser portuguesa
Como é do vizinho,
Tornou-se princesa
Lá no Montesinho.
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Vítor Cintra
No livro: MOMENTOS

16 Comentários::

At 26/1/07 10:35 da manhã, Blogger osangue said...

Bom fim de semana.

 
At 26/1/07 11:20 da manhã, Blogger Ana S. said...

É um lugar que serve de exemplo porque mostra a convivencia pacifica entre dois povos de paises diferentes mas com muito em comum
beijos

 
At 26/1/07 5:20 da tarde, Blogger MRelvas said...

Bonito e salutar.

Convido o meu amigo a visitar a História de Braga já acabada no Aromas de Portugal.
são 4 textos com muitas fotos.

Um abraço para si e continue em força este blog de qualidade patente!

Mário Relvas

 
At 26/1/07 5:42 da tarde, Blogger chuvamiuda said...

...........

LINDO!!!


Abraço BFS

 
At 26/1/07 7:32 da tarde, Anonymous Jofre Alves said...

Passei para ver os amigos, apreciar o blogue, sempre com bom-gosto e qualidade, factor que me leva a visitá-lo para deixar o desejo dum óptimo fim-de-semana, apesar deste frio que enregela, mas como diz o povo «mãos frias, coração quente».

 
At 26/1/07 7:33 da tarde, Anonymous Jofre Alves said...

Passei para ver os amigos, apreciar o blogue, sempre com bom-gosto e qualidade, factor que me leva a visitá-lo para deixar o desejo dum óptimo fim-de-semana, apesar deste frio que enregela, mas como diz o povo «mãos frias, coração quente».

 
At 26/1/07 8:11 da tarde, Blogger Rosa Silvestre said...

Gostei deste post. Cada vez que passo por aqui gosto do que o Vitor sabe transmitir poeticamente e com grande sentido educativo. Obrigado pels visita à minha casinha e pelas bonitas palavras. Um abraço!

 
At 27/1/07 4:56 da tarde, Blogger Cadinho RoCo said...

É de encantar saber da existência de lugar assim a desafiar os delírios de um outro mundo entregue a tantos delírios.
Cadinho RoCo

 
At 27/1/07 5:40 da tarde, Anonymous Hilda said...

Admiro em você J. Vitor, como exalta sua terra e as coisas dela. Beijo e bom final de semana.

 
At 28/1/07 4:23 da tarde, Blogger Luna said...

Tudo de divide ,o homem em vez de unir divide é assim em tudo, mas ainda há quem não se preocupe com essas divisões feitas por humanos
beijos

 
At 29/1/07 10:01 da manhã, Blogger MRelvas said...

Venho agradecer as suas palavras no meu blog amigo Victor Silva.

O meu obrigado duplo por ter encontrado qualidade suficiente para me linkar ao seu estimado "Um poema de vez em quando".

Este seu blog está linkado no Aromas de Portugal há algum tempo.

Um abraço esperando novos textos com a qualidade e temas execelentes ao nível que nos habituou.

Mário Relvas

 
At 29/1/07 10:46 da manhã, Blogger PR said...

Boa semana, abraço.

 
At 29/1/07 11:23 da manhã, Anonymous Papoila said...

Vitor:
Adorei este post sobre Rio de Onor que apesar da fronteira se mantem único e fiel aos seus valores.
Beijo

 
At 29/1/07 5:23 da tarde, Blogger antónio paiva said...

...............

uma vistita ao teu espaço
de que gosto

..............

 
At 29/1/07 11:36 da tarde, Blogger Å®t_Øf_£övë said...

Vitor,
A verdade é que cada vez menos se sabe viver em comunidade. É bom perceber que ainda existem locais assim, por muito que sejam locais votados ao isolamento.
Abraço.

 
At 31/1/07 9:52 da manhã, Blogger Vera said...

Caro Victor, as passagens do artigo estão excelentes e o poema, como sempre, encantador, com uma belíssima homenagem a Rio de Onor.

Beijinhos

 

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