quarta-feira, julho 05, 2006

Alguém me disse... Parte 1

A respeito do que penso e do que escrevo...

VAMOS FALAR DE DEMOCRACIA?

Como está expresso na apresentação desta página, este é um espaço de opinião, da minha opinião, sobre as coisas que vejo, ou tomo conhecimento, no dia a dia, e das conclusões a que, sobre elas, chego.
Não espero que todos os que leiam o que escrevo estejam de acordo comigo, mas não vou deixar de exprimir o que penso, só porque alguém entende que, por pensar de modo diferente, só a sua forma de pensar é que está certa, passando qualquer outra a ser uma ofensa pessoal.

Nesta página está indicado o meu endereço de correio electrónico que alguns leitores têm usado - e muito bem - quando pretendem que lhes preste algum esclarecimento. É que "comentários" são públicos e, sendo assim, hão-de as respostas ser públicas também, com todas as implicações inerentes.
Vem isto a propósito de alguns artigos que tenho escrito, onde não encubro o meu pouco apreço por políticos e onde manifesto a opinião de que a nossa chamada "democracia" não passa de um mal conseguido simulacro.

Não condeno quem pensa que, só porque periodicamente é chamado a votar, vive em democracia. Não me contento, porém, com tão pouco!
Considero que votar é um acto próprio de uma democracia, mas não exclusivo, nem sequer o mais importante. Mais importantes para se viver em democracia são, certamente:

1/ O direito à JUSTIÇA.
Como é que pode chamar-se democracia a um regime onde a justiça não funciona ou não existe, simplesmente?
Onde está a justiça num sistema que dá aos políticos, e demais priveligiados do regime, reformas integrais, após uma dúzia de anos (ausências e faltas incluídas) e impõe ao "zé povo" trabalho e descontos, sem fim à vista e sem garantia de direitos?
Onde está a justiça de um regime que cala, aliás ignora, aqueles que cairam ao serviço do país, e lhes recusa, durante décadas, as honras que lhe são devidas. Que todos nós, como nação, lhes devemos?!

2/ O direito à EDUCAÇÃO.
Como pode dizer-se democrático um regime que trata os seus docentos sem o menor respeito.
Precaridade de trabalho?... E o que são afinal os concursos anuais de colocação de professores?
Instabilidade psicológica?... E como pode ser psicologicamente estável um professor que não pode exercer a sua função com zelo, sem correr o risco de ser agredido verbal e fisicamente?
Rendimento escolar?... E como pode haver rendimento escolar se o professor é constantemente colocado perante o dilema de faltar aos alunos para acudir à família que, quantas vezes, teve que deixar longe, e a obrigação de ensinar, ainda que à custa de estar ausente dos próprios filhos?
Onde está o direito à educação e a igualdade de oportunidades dos estudantes que, se querem ter acesso a uma Faculdade de Medicina, têm que ir para Espanha?

3/ O direito à SAÚDE.
Como pode dizer-se democrático um regime que não garante a todos os cidadãos igualdade de cuidados de saúde.
Basta olhar para a quantidade de subsistemas de saúde existentes à margem da Segurança Social, alimentados também pelo erário público, mas vedados ao "zé povo".
Onde está a democracia quando tantos cidadãos esperam meses, anos até, por uma cirurgia ou, tão só, por uma consulta?...

4/O direito à INFORMAÇÃO.
Isso implica informação isenta. Ou seja, não manipulada, não censurada, não subordinada aos ditos 'critérios redactoriais', quantas vezes sujeitos a interesses dificilmente conciliáveis com a isenção.
Salvo raras e honrosas excepções, onde está a isenção?
Se até uma página pessoal e independente se pretende censurar... Ou não será uma forma, ainda que velada, de censura dizer-me que "se pretendo expressar determinadas ideias que defendo devo ver antes se a argumentação não está a ofender terceiros"?

A respeito disso o povo, na sua sabedoria, diz: Cada um sabe onde o sapato lhe aperta!


DEMOCRACIA

Democracia tem custos.
Se for vivida a valer
Não é isenta de sustos;
Não deixa os outros sofrer.

Não permite que se estrague
O que a outros falta faz.
Não consente que se apague
A chama, frágil, da paz.

Não desperdiça recursos,
Que custam muito suor,
Sacrifícios e labor.

Não vive só de discursos!
Partilha também amor,
A que dá justo valor.

Vítor Cintra
No livro: DISPERSOS

14 Comentários::

At 5/7/06 11:20 da manhã, Blogger an ordinary girl said...

que posso eu dizer a não ser que tens toda a razão? infelizmente.

um beijo
bom dia

 
At 5/7/06 12:24 da tarde, Blogger Luiz Carlos Reis said...

Direitos e deveres estabelecidos democráticamente pela carta magna, Lei máxima de uma república, de um país, que permanecem escusos nas sombras de ratazanas corruptas, com discursos retóricos adornados por fraques, limusines e cromo-alemão!
Abraços camarada!

 
At 5/7/06 12:28 da tarde, Blogger Luiz Carlos Reis said...

Corrigindo: Cromos alemães.

Amplexos!

 
At 5/7/06 8:04 da tarde, Anonymous Hilda said...

Bravo, J. Vitor!
É por homens como você, que indignam-se com erros, com corrupções, com injustiças ... que continuo a acreditar nos ser humano!

 
At 6/7/06 4:59 da manhã, Anonymous sentada no sofá blue said...

Ah, Vitor, no finalzinho vou dizer qual o meu palpite. Segura a curiosidade..rs.
Mas, falando nisso, tu também não expressaste o teu pensamento, né?
Que tenhas uma 5a. feira tranquila.

 
At 6/7/06 8:29 da manhã, Blogger rouxinol de Bernardim said...

Gostei da expressão poética! Muito lúcida!

 
At 6/7/06 9:10 da manhã, Anonymous su said...

Pessoalmente, eu sei perfeitamente onde me aperta, de um modo mais directo...mas todos os outros pontos focados, indirectamente, nos vão afectar sempre.Da maneira que as coisas correm será por mais algum tempo apenas que nos restará a voz para manifestar o nosso lamento pelo que sentimos que está mal...

 
At 6/7/06 9:49 da tarde, Blogger Papoila said...

Olá Vitor:
Concordo, aplaudo de pé este seu artigo.
Beijo

 
At 7/7/06 3:53 da manhã, Blogger soslayo said...

Vítor Cintra:

Que maravilha de pensamento na escrita! Não podias ser mais preciso e conciso nestas temáticas que nos afligem a todos nós portugueses. E mais, se alguém se sente incomodado é porque o sapato lhe está apertado!!! Com essa tua retórica meu amigo segue em frente porque estás certo. O poema está excelente. É já obrigatório passar pelo teu blog e beber tudo o que aqui dizes. Obrigado e um abraço.

 
At 7/7/06 3:29 da tarde, Blogger margusta said...

"Um ano depois"

Vitor Cintra hoje passo só para te deixar um abraço intemporal....

 
At 7/7/06 6:15 da tarde, Blogger agua_quente said...

Concordo que o conceito de democracia representativa não vale quase nada se não for complementado por muitos outros direitos que lhe estão inerentes. Esses de que falas e outros.
Beijos

 
At 7/7/06 7:45 da tarde, Blogger tb said...

Só se pode falar em democracia quando todos têm esses e outros direitos ainda e os vivem em partilha consciente no respeito pelo bem comum...
Gostei muito tanto da prova como do poema.
Beijinhos

 
At 10/7/06 1:53 da manhã, Blogger I said...

analitico!Gostei.Um abraço

 
At 19/7/06 11:14 da manhã, Blogger Su@vissima said...

Interessante...

Passo a explicar, além do texto o ser, e "tocar" em temas, que alguns teimam em esquecer (vá-se lá saber porquê)... a forma divertida, com que o terminaste (fez rir, depois de ler sobre algo tão "sério").

É verdade "Cada um sabe onde o sapato lhe aperta!"

O povo é mesmo sábio!

(Gostei)

Um beijo.

 

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