quarta-feira, outubro 04, 2006

O FIM DA MONARQUIA


Aconteceu há 96 anos.

O último Rei de Portugal foi deposto, numa Revolução, levada a efeito pelos, então, chamados republicanos. Foi essa revolução que, a 5 de Outubro de 1910, implantou a República. A Primeira República.
Dessa Primeira República Portuguesa ficou a triste imagem da instabilidade, devido às divergências entre os mentores da revolução, engajados a interesses diferentes, quantos deles pouco claros ou confessáveis. E, foi essa instabilidade, que abriu as portas à Ditadura Militar que implantou o chamado Estado Novo.
D. Manuel II, que morreu novo, no exílio - dizem alguns que de desgosto e saudade da Pátria - pernoitou, a sua última noite em Portugal, no Palácio Real de Mafra. No dia seguinte, na Ericeira, embarcava com sua mãe, a Rainha D. Amélia, rumo ao exílio, em Inglaterra.

D. MANUEL II

Co'o pai, foi o irmão assassinado,
Num tempo de fervor republicano
Que fez, D. Manuel, um soberano
De apenas, só, dois anos de reinado.

O rei, num ambiente de anarquia,
Depondo do governo João Franco,
Tentava transmitir um novo encanto,
Ao rosto e ao valor da monarquia.

Forçado, p'la tragédia derradeira,
Partiu, com sua mãe, da Ericeira,
E a espr'ança no regresso, mas remota.

Saudoso do país, o rei deposto,
Finou-se, no exílio, de desgosto;
Daí, o ser chamado "Patriota".


Vítor Cintra
No livro: HOMENAGEM

13 Comentários::

At 4/10/06 10:57 da tarde, Blogger Sophie said...

Como sempre e uma vez mais palávrias sábias e ensinamentos para quem já não se recorda de muitos factos da nossa história.
Um beijo meu e bom feriado.

 
At 5/10/06 4:02 da manhã, Anonymous Hilda said...

Sensível homenagem à História de Portugal que a faz conhecida e aviva a memória dos portugueses de hoje... parabéns!

 
At 5/10/06 11:23 da manhã, Blogger Luna said...

Sempre a avivares a nossa memoria, a verdade é que se de vez em quando não nos brindarem com estes momentos, vamos esquecendo o que é a nossa cultuta
beijinhos

 
At 5/10/06 6:09 da tarde, Blogger Papoila said...

Bom feriado é um bonito poema para lembrar D. Manuel II, que não foi a tempo com a deposição de João Franco.
Viva a República!
Beijo

 
At 7/10/06 2:06 da manhã, Blogger A Cor do Mar said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

 
At 7/10/06 2:08 da manhã, Blogger A Cor do Mar said...

Ola Silva, sabes tenho grande simpatia pela monarquia...
Beijinho e b f semana*

 
At 7/10/06 5:34 da manhã, Anonymous Jofre Alves said...

Nesta madrugada em que percorro os blogues venho sempre serenar neste recanto e deixar o meu eco de apreço por esta interessante página. Bom fim-de-semana.

 
At 8/10/06 3:39 da tarde, Anonymous soslayo said...

Vítor Cintra:

Sabes Vítor, apercebo-me que tanto na Monarquia quanto na Democracia os problemas são sempre os mesmos, se analisarmos bem, é a conquista do poder para melhor servir o povo (sempre em nome do povo) depois de lá estarem é o que estes estão a fazer agora a cortar a eito sobre as conquistas levadas a efeito de há 60 anos atrás pela população para beneficiar só alguns... Devo dizer-te que não morre de amores pela monarquia mas, tenho as minhas dúvidas se os republicanos são melhores que os monarquicos! O teu poema da saudade de Portugal de D. Manuel II só demonstra quanto amavam este país! Bonito Poema. Um abraço.

 
At 8/10/06 4:41 da tarde, Blogger Um Poema said...

Soslayo,
O regime monárquico terá tido coisas boas e coisas más, naturalmente. Contudo, numa monarquia constitucional (como foi a nossa a partir de D.Miguel), os reis terão perdido protagonismo para os políticos governantes. Veja-se o caso de D. José e do Marquês de Pombal. Não sei avaliar os méritos e deméritos da monarquia. E não creio que a monarquia em Portugal pudesse tornar-se equilíbrio da democracia, como sucede em Espanha, embora não rejeite tal possibilidade. Porém, o relato do desgosto de D. Manuel II, por ter que viver longe de Portugal, não me deixa indiferente.

 
At 8/10/06 8:24 da tarde, Blogger BlueShell said...

Grata pela visita...~
Voltarei com mais tempo...prometo!
BShell

 
At 9/10/06 1:46 da manhã, Anonymous Antonio (Tavola Redonda) said...

Amigo blogueiro, é interessante conhecer mais sobre a história de Portugal. Até porque, tb é a história dos meus antepassados (meus avós maternos são descendentes diretos de portugueses).
Outro detalhe que observei com seu texto: a data. Nessa data tão importante para vcs, nós brasileiros tb temos algo a rememorar: o nascimento da nossa Constituição.
Pelo visto, estamos ligados até pela história pós-colonialismo!
Um abraço amigo. É uma honra para mim suas vistas.
Colocarei seu link no meu blog para que meus leitores tb possam te ler.
Um abraço!

 
At 9/10/06 4:32 da tarde, Anonymous tb said...

Como sempre as palavras que se transformam em poemas à altura das circunstãncias da vida que vai decorrendo ou revivendo.
Prabéns!
Beijinho

 
At 10/10/06 4:49 da tarde, Blogger DIGNIDADE said...

Olá! Como sabes regressei agora da Madeira onde este tipo de efemérides é comemorado de forma distinta...aproveito para prestar a minha homenagem aos madeirenses, os únicos portugueses que se mostram confiantes em si, optimistas, que sabem o que valem, são empreendedores e entendem de turismo como ninguém...
Quanto ao tema que tratas de forma tão carinhosa, devo dizer-te que se por base não concordo que o berço dite a "liderança", simpatizo com a ideia de uma monarquia constitucional em Portugal, no sentido em que qualquer infante, desde a nascença recebe formação nas mais distintas áreas, sendo um símbolo - até à morte, e para lá dela - congregador de um povo(tal como a bandeira ou o hino) e é reconhecido em qualquer parte do mundo; ao invés do "nosso" Presidente da República, que é um português com mais de 35 anos escolhido pelo seu partido político e eleito ciclicamente (nunca mais de dois mandatos) por uma minoria de portugueses votantes que raramente se revê em quem escolheu (o que não sucede em regimes fortemente presidencialistas como os EUA ou o Brasil, por ex)e que passa rapidamente do chefe máximo do Estado para ilustre anónimo. Certamente o monarca desempenhará melhor as funções protocolares e sustentar a casa Real não será mais oneroso que a casa Presidencial, poupando ainda nas eleições. Quanto à "figura decorativa", embora o nosso herdeiro à Coroa não seja "apetecível" atente-se nos diversos e sucessivos candidatos Presidenciais e compare-se...Mas o "povo é quem mais ordena" e se não gostam dos exemplos de Espanha, Holanda, Bélgica, Reino Unido, Japão, Canadá, etc.,continuemos a mudar de "Corta-fitas". Um bj!

 

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