terça-feira, setembro 19, 2006

LUSITANOS - Histórias de coragem.


(Imagem recolhida no blog 'guardiapretoriana')

Sob o título "A nossa herança romana" a revista trimestral do Clube do Coleccionador de Junho último (ano XXI, nº 2), publica um trabalho de que transcrevo esta passagem:

"... no começo da II Guerra Púnica (218-201 a.C.), os Romanos empreenderam a conquista da Hispânia. Em Agosto de 218 a.C. desembarcou em Ampúrias, a norte de Barcelona, um exército comandado por Gneu Cornélio Cipião. No entanto, os Romanos só entraram no actual território português quarenta anos mais tarde. A conquista de toda a região ocidental da Hispânia foi muito árdua e muito sofrida para os Romanos.
Só foi dada como concluída em 19 a.C. no final da guerra contra os Calaicos, Astures e Cântabros, que durou dez anos. Os períodos de apogeu da resistência lusitana tiveram lugar entre 147 e 139 a.C., sob o comando de Viriato, e de 80 a 72 a.C., sob a liderança de Sertório. Foram necessárias as intervenções de Décimo Júlio Bruto e de Júlio César, que foram decisivas para a conquista do território dos Lusitanos e dos Calaicos."


VIRIATO

Surgindo, de surpresa, das quebradas,
Descido dos Hermínios, Viriato,
À frente dos guerreiros lusitanos
- Tornados pesadelo dos romanos -,
Lançou nas legiões mor desbarato,
Com golpes de perícia e emboscadas.

Após tantos desaires, que há sofrido
Por causa da codícia demonstrada,
Da força e da coragem desse luso,
Ficou o grande império bem confuso.
Em busca duma paz negociada,
Propôs ceder favor nunca cedido.

De Roma veio lesto Cipião,
Co' a trégua, que se disse, instituída
- Sete anos de combates decorridos -.
Mas quando os lusitanos, iludidos
Co' a paz, foram cuidar da nova vida,
Na sombra ganhou corpo uma traição.


Vítor Cintra

Do livro: HORIZONTES

15 Comentários::

At 19/9/06 8:59 da manhã, Anonymous soslayo said...

Vítor Cintra:

E assim desta maneira brilhante se descreve num poema uma época da história que a todos nós diz respeito. Sobre qualquer tema e ocasião, é coisa que não falta a inspiração! Um abraço.

 
At 19/9/06 5:05 da tarde, Blogger CAntonio said...

Caro Vitor,

Aprendi a gostar de História com um professor que nos ensinava lendo Os Lusíadas. Todos achavam uma chatice, mas aos poucos fomos tomando gosto. Não seria este um método eficaz de aprendizado?

Soa melhor, guardamos e entendemos mais facilmente......

Espero sua resposta.

Abraços cá d'outro lado!.

 
At 19/9/06 9:28 da tarde, Blogger Luna said...

è sempre bom uma passagem pela história, mas de momento o que me vem á cabeça, é que passamos atravez dos seculos no meio de guerras
beijinhos

 
At 19/9/06 10:22 da tarde, Blogger Sophie said...

Adorei esta viagem ao passado; à força e coragem de outrora.
Bom regresso e um beijo enorme.

 
At 20/9/06 5:51 da tarde, Anonymous Hilda said...

História por si só é fascinante, quando narrada num poema então ... dizer o que?

 
At 20/9/06 11:28 da tarde, Blogger A Cor do Mar said...

Mto bem descrito. Parabens pelo blog.
Beijinho*

 
At 21/9/06 12:51 da manhã, Anonymous tuga said...

Obrigado pela visita...Volte sempre

 
At 21/9/06 6:02 da tarde, Blogger Papoila said...

Vitor Cintra:
Esta história lusitana sempre me seduziu... assim contada é épica!Poema que merecia ser cantada ao som de guitarra
Beijo

 
At 21/9/06 9:23 da tarde, Anonymous tb said...

uma epopeia de gloriosos feitos.
Vir aqui ler-te e ao outro lado apreciar-te é um encanto raro. Talvez por isso eses selinhos aqui ao lado a merecerem os aprabéns!
Bjs

 
At 22/9/06 10:59 da manhã, Blogger Luiz Carlos Reis said...

Épico mosaico da garra lusitana. Certamente uma parte da história requintada pelos teus versos, sempre tão coesos!
Abraços do Oficina!

 
At 22/9/06 4:11 da tarde, Blogger Isa&Luis said...

Pequeno memorando de História.
Recordar é conhecer...

Abraço!
Luis

 
At 22/9/06 5:46 da tarde, Anonymous Betty blue said...

Vitor, acredita que o Sofá Blue não mais existe?pois é, acidentalmente fiz uma tamanha confusão que tive que deletar meu blog, quase morri de pesar.Estou numa tristeza de dar dó, mas uma blogueira caridosa vai me ajudar e, creio que em breve, voltarei com um novo,embora não acredite que vá me fazer tão feliz quanto àquele que perdi.Bom final de semana, amigo.

 
At 22/9/06 10:50 da tarde, Blogger Manel do Montado said...

Excelente o rebuscar sério da nossa história e o poetizar sobre ela.
Mais um excelente trabalho na linha da qualidade que é a tua etiqueta.
Um abraço

 
At 22/9/06 11:37 da tarde, Blogger Paulo Sempre said...

As leis da história permanecem iguais. O destino do mais fraco foi sempre de desaparecer diante do mais forte ou de ser o seu escravo. O progresso não se realizou nunca doutra forma.
É ainda mais verdadeiro hoje em dia do que há 2006 anos, a terrível sentença do velho Brennus: «Ai dos vencidos».
Abraço

PS: Bom blog..!!!

 
At 2/10/06 3:38 da tarde, Blogger Teresa Durães said...

penso que foi na II guerra púnica que Lusitanos e Púnicos uniram-se e nos pirinéus, através de uma emboscada, venceram aos romanos.

Colocaram os guerreiros mais fracos numa garganta à frente, os romanos atacaram em peso e os restantes lusitanos e púnicos encurralaram-nos e esmagaram os soldados romanos.

O único erro dos púnicos foi não terem prosseguido para Roma com o fim de a conquistar.

Boa tarde

 

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