segunda-feira, outubro 16, 2006

PEDRAS QUE FALAM


Alguns escritores, pese embora a riqueza da sua obra, mergulham no limbo, quando não caiem mesmo, inexplicavelmente, no esquecimento.
Aconteceu isso, por exemplo, com António Campos Júnior, contemporâneo de António Nobre, com uma obra invejável, de tão vasta e rica, e de que destaco títulos como:
A Ala dos Namorados, A Filha do Polaco. A Raínha Madrasta, Santa Pátria, A Estrela de Nagasaqui, O Pagem da Duquesa, para só citar alguns, dos que tive oportunidade de ler, e que ainda hoje conservo.
Há dias, durante as férias, ao passar por Coimbra, frente à Igreja de Santa Cruz (a tal que o fadista diz ser "feita de pedra morena"), veio-me à memória o título Pedras que Falam, onde Campos Júnior, falando do templo em que repousam os restos mortais de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I, diz a certo passo (referindo-se ao livro em que o Conde Raczynski exalta como obras de arte as arquitecturas de Santa Cruz, dos Jerónimos e da Batalha):

E por ser assim, foi que um estrangeiro, muito entendido em obras de arte e que muito estudou estes monumentos de Portugal, escreveu num livro seu isto... «É uma verdadeira jóia, que sentimos vontade de meter num medalhão ou encastoar num anel».

Pela riqueza histórica dos seus romances, pela leitura fácil, que nos prende e transporta, vale a pena ler Campos Júnior. Aliás, vale a pena ler.

L E I T U R A

De quem não lê, tenho pena,
Por pouco ser o saber,
Mas só tem alma pequena,
Quem sabe mas não quer ler.

Se, co'a leitura, aprendi
Muitas das coisas que digo,
Também um livro, p'ra ti,
Pode ser como um amigo.

Diz-se que ler é à toa,
Se não se gosta do tema,
Mas a leitura, que é boa,
Tem o 'saber' como lema.

Muitos dos livros que li,
Li-os pensando comigo:
"As horas gastas aqui,
São ganhas! Mais, não consigo!"


Vítor Cintra
No livro: VERTIGEM

18 Comentários::

At 17/10/06 3:37 da manhã, Anonymous Betty blue said...

Vitor, tua presença amiga no meu blog é motivo de alegria.Aliás, quero te oferecer o prêmio Safira Azul.Espero que aceites pois o faço com carinho.
Abraços

 
At 17/10/06 4:28 da manhã, Anonymous Ana Luiza said...

Boa noite. Cheguei até aqui, através do blog do Antonio (o Távola). Teu blog é lindo demais, parabéns.

 
At 17/10/06 9:10 da manhã, Blogger Sophie said...

Um livro é a minha companhia. Quanto a ti amigo, um poema de vez em quando é pouco, um poema sempre!!!
Adoro o que escreves e como escreves!
Um beijinho

 
At 17/10/06 2:02 da tarde, Anonymous Hilda said...

Se não ler, como saber?
Perfeito teu texto e mais ainda, o poema.

Estou observando que consegui alguns resultados nas minhas divulgações, não é, JV? Abraços...

 
At 17/10/06 3:07 da tarde, Blogger Valeria said...

Querido amigo Vitor , sem ler nos perdemos no "não saber " , e ai ha perdas imensas ...Bela lembrança e poema belissimo ...
grande beijo no coração .

 
At 17/10/06 3:08 da tarde, Blogger Fatima Gama said...

Olá querido
É mesmo engraçado como os talentos aparecem e somem derrepente, não entendo como pode acontecer isto, o reconhecimento vem e não dura muito! Eu adoro ler e também acho que ler vale a pena contanto que sejam coisas que nos acrescentarão algo novo ou que nos dará prazer! Acho que melhor que ler, só escrever coisas, para lermos depois rsr. Bjs e bom dia!

 
At 17/10/06 4:57 da tarde, Blogger Papoila said...

Gostei muito do poema e confesso que não conheço Campos Júnior mas vou procurar... é que para mim as Pedras Falam... Grata!
Beijo

 
At 17/10/06 7:46 da tarde, Blogger Luna said...

Os livros nos ensinam tantas coisa, e os teus poemas me incantam
beijinhos

 
At 17/10/06 11:47 da tarde, Blogger Lâmina d'Água, Silêncio & Escriba said...

Obrigada por tua presença sempre tão bem vinda!!!
Ainda estou fora do ar, mas gosto de ver quem passa me deixando recados!!! Pessoas do bem são sempre muito bem vindas!!!

Beijinhos,
Cris

 
At 18/10/06 1:05 da manhã, Anonymous Antonio (Tavola Redonda) said...

Realmente amigo. Ao que parece, mais um ponto em comum entre nossos blogs...
O gosto pela leitura deve mesmo ser propagado...
É um exercício e um prazer a ser desfrutado por todos.
Um abraço,

 
At 18/10/06 11:54 da manhã, Blogger mar_e_sol said...

Vim agradecer e retribuir a visita e ainda bem que por lá passaste...mais uma boa surpresa nesta blogoesfera...voltarei!
Um beijo

 
At 18/10/06 6:12 da tarde, Blogger Valeria said...

Hoje passando para reler textos que sempre nos brindam com sua bela e rica escrita ... grande beijo no coração

 
At 18/10/06 6:38 da tarde, Anonymous soslayo said...

Vítor Cintra:

Infelizmente não conheço esse autor: António Campos Júnior, ignorância minha, mas pelo que falas e dizes, deve ser um excelente autor. Em todo o caso vou procurar nas diversas livrarias obras d'ele para ver se me delicio com essas tuas leituras, visto já as possuis. O meu passatempo favorito é a leitura embora, devido aos blog's já o faça com menor frequência. Quanto ao teu Poema meu amigo não é difícil antever quais as tuas leituras pela qualidade e exactidão da tua escrita. Lindo Poema. Um abraço.

 
At 18/10/06 6:39 da tarde, Anonymous soslayo said...

rectifico:

"Possuires".

 
At 18/10/06 8:49 da tarde, Anonymous ana s said...

Olá Vítor.
Realmente existem muitos poetas tão bons como os outros mais famosos mas por um ou outro motivo não alcançam o prestigio que mereciam.
É um bonito poema que devia ser mais divulgado. Beijos

 
At 19/10/06 11:46 da tarde, Blogger Cris said...

Nunca me canso de ler...

Bjo

Bom Wk

c.

 
At 20/10/06 11:41 da manhã, Blogger Luiz Carlos Reis said...

Meu caro Vitor, tão bom quanto os livros são ler os teus poemas, que nos contagiam e trazem à tona a realidade conjuntural.
Ler é cultura e como já dizia meu avô: Todo conhecimento adquirido, o saber advém da boa literatura. Nada de erudição, pesquise, leia, perca horas à fio com livros seja qual for o tema.
Livro é emoção, vida, poesia, cântaros de sabedoria e ensinamentos.
Pois bem sapiência e conhecimento de vida afloradas.
Abraços do Oficina!

 
At 20/10/06 1:31 da tarde, Blogger Saramar said...

Poeta, como sempre, você nos dá uma aula de cultura portuguesa, ao mesmo tempo em que ensina e encanta com o poema.

Ler é viver. Para mim, sem livros, não há vida.

beijos

 

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