quarta-feira, junho 24, 2009

As competências do sr. Governador

(imagem recolhida na internet)
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A OCDE veio, uma vez mais, corrigir as contas mascaradas que, frequentemente, os políticos domésticos nos servem, ao sabor das suas conveniências. Porque não é já a primeira vez que isso sucede, não nos surpreende que o faça, pois sabemos da dificuldade/incapacidade dos (des)governantes em acertar uma mera adição.
- Quem ignora os muitos malabarismos dialécticos, anualmente esgrimidos, para justificar o constante agravamento da carga fiscal, apesar das promessas eleitorais em contrário?
- Quem esqueceu a promessa da criação, durante a legislatura, de 150.000 postos de trabalho, que nunca aconteceram, e o espectáculo exibicionista, no verão passado (a um ano do termo da legislatura), dos quatro ministros, falando à vez, em conferência de imprensa, especialmente convocada, para anunciar a quebra do desemprego em 0,4%, verificado aliás em período sazonal, em que a oferta do emprego sempre acontece?
O descrédito dos políticos - destes políticos - atingiu o seu ponto máximo. Há pois que mudar de caras, numa bem urdida estratégia, na tentativa de continuar a servir-nos mais do mesmo, enquanto eles - sempre os mesmos - continuam a servir-se. Isso não surpreende, aliás.
O que surpreende agora é que o sr. governador do Banco de Portugal, cuja competência no seu trabalho de fiscalização é do conhecimento público, venha pronunciar-se contra as previsões da OCDE, arrogando-se competência fiscalizadora das previsões daquele organismo. Não duvidamos da competência do senhor, quer pelos casos BPN e BPP, quer até pelo elevado valor da remuneração que aufere. Mas, tendo em conta as diversas intervenções que já nos debitou, vem-me à ideia aquele provérbio de ciência popular que diz:
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«Em boca fechada, não entra mosca»
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C O N S E Q U Ê N C I A S
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"Quem semeia ventos
Colhe tempestades!"
Quem causa tormentos
Não deixa saudades.
Quem recorda tempos
Vai vivendo idades.
Quem vive de alentos
Respeita verdades.
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Quem tem na memória
Toda a sua história,
Não canta vitória
Por suposta glória.
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Quem pisa direitos,
Que dos outros são,
Não segue preceitos
Mas perde a razão.
Quem cala conceitos,
Por pura ilusão,
Faz valer defeitos
Por contradição.
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Vítor Cintra
No livro: MEMÓRIAS

4 Comentários::

At 25/6/09 12:12 da manhã, Blogger Ana Martins said...

Caro Vítor está mais que na hora de abrirmos os olhos e não cair nos mesmos erros, promessas como já dizia a minha AVÓ temos nós uma arca cheia delas. Estamos num País de corruptos onde os fenómenos são constantes, vêm à Praça Pública todos os crimes, mas nunca se chega a bom porto e os casos acabam por cair no esquecimento sem que se encontrem culpados, enfim estamos em Portugal, onde já nada funciona bem, nem a educação, nem a justiça, nem o governo. Estamos perto muito perto do salve-se quem puder!!!

Comentando o poema, só posso dizer que está muito bom, como tudo o que escreve.

Quanto à pergunta que me fez no outro dia, não sei se um dia conseguirei concretizar este sonho, dar à estampa os meus trabalhos. Por agora é-me de todo impossível, pois acarretaria custos que de momento não posso suportar.

Beijinhos,
Ana Martins

 
At 25/6/09 11:19 da manhã, Blogger helia said...

É uma tristeza os políticos que temos a governar o País , cuja situaçáo está cada vez pior!
Muito adequados tanto o provério
"Em boca fechada, não entra mosca», como o poema:
"
..Quem pisa direitos,
Que dos outros são,
Não segue preceitos
Mas perde a razão.
Quem cala conceitos,
Por pura ilusão,
Faz valer defeitos
Por contradição."

Muito bonito e muito verdadeiro

 
At 25/6/09 3:03 da tarde, Blogger Teresa Durães said...

e descartam-se todos das responsabilidades...

 
At 26/6/09 7:29 da tarde, Blogger Luz said...

Vitor
Esta tua faceta de contestatário que eu tanto admiro está definitivamente a pegar-se. Quando penso neste governo e nos seus lacaios, fico de tal forma revoltada que só me apetece...
Ai se eu pudesse... Juro que extraditava este governo para...não sei para onde é que havia de ser, porque acho que nem no inferno o queriam! Eles iam conseguir destabilizar os diabos todos, iam desfalcar os cofres de belzebu de tal forma que ele ainda era capaz de ter que ir ao céu para pedir um empréstimo. Além disso iam sobrelotar aquilo com imigrantes ilegais, vindos de todos os pontos do universo à espera de subsídios e ia ser tudo uma grande confusão. Sr. demónio, tenha cuidado, se por acaso aquele que se nomeia engenheiro bater á sua porta, dê-lhe uma forquilha, um balde de brasas e mande-o fazer o inferno por conta própria... Olhe que ele traz consigo uma cambada de oportunistas que lhe vão destruir em pouco tempo, tudo o que o senhor levou tanto tempo a construir! Não acredite neles. Olhe que são mesmo muito mentirosos!
Espero que os portugueses sejam inteligentes e pensem no que fazem.
E obrigado por mais este belíssimo poema
Luz
Luz

 

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